TCC 2015

TCC 2015

terça-feira, 15 de julho de 2008

Quinto Curso de TC em Bauru - São Paulo.


de setembro de 2008.








Em parceria com O ITC Dra. Ana Maria Serra.







Curso de Introdução e Formação em TC.








Para psicólogos e Psiquiatras, inclusive alunos de último ano.







Baseado no livro de Judith Beck.







Filha de Aaron Beck, criador da TC.







Ministrado pelo Especialista em TC: Psicólogo Arnaldo Vicente.







- Livro base.

O segredo das emoções e dos comportamentos:

Diante dos eventos temos pensamentos automáticos que podem nos remeter a diferentes emoções, em diferentes intensidades, além de comportamentos que podem ser dos mais comedidos aos mais extremos (isolamento, agitação, agressividade, submissão, passividade, compulsões; parcial ou total).

Pensamentos flexíveis geram emoções menos intensas seguidas de comportamentos mais comedidos ou funcionais. Atitudes Funcionais nos aproximam da meta situacional.

Pensamentos rígidos geram emoções mais intensas e comportamentos mais extremos ou disfuncionais. Atitudes Disfuncionais nos distanciam da meta situacional.

Estamos falando da lei das especificidades da Terapia Cognitiva, ou seja, pensamentos específicos geram emoções específicas!

Apresentamos, abaixo, algumas emoções com intensidades variadas.




Alegria. (Pensamentos flexíveis:- É muito bom viver!).







Euforia. (Pensamentos rígidos:- A vida é mágica! Posso tudo, sempre!).








Tristeza. (Pensamentos flexíveis:- Não estou indo bem no trabalho.).







Depressão. (Pensamentos rígidos:- Não adianta, nada dá certo.).







Ansiedade. (Pensamentos flexíveis:- Será que consigo?).





Pânico. (pensamentos rígidos:- Meu Deus!!!).







Irritação. (Pensamentos flexíveis:- Isto não é assim!).





Raiva. (Pensamentos rígidos:- Tudo está contra mim!).







Ódio. (Pensamentos rígidos:- Grrrraaaa!!!).


Pensamentos flexíveis são específicos, passageiros e de responsabilidade parcial.

Pensamentos rígidos são gerais, permanentes e de responsabilidade total.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Depressão - a doença das metas fracassadas.


Os dois lados da Meta: cognições e emoções positivas ao realizá-la; cognições e emoções negativas ao fracassá-las.



Alegria, felicidade e alívio por um lado; ansiedade, raiva, tristeza e desesperança por outro.



Investimentos que dependem de si mesmo comtemplam o crescimento no sucesso ou fracasso; enquanto os que dependem dos outros devem ser comedidos, bem avaliados com flexibilidade, sob a ameaça da depressão e da desesperança.



São contínuos que vão da capacidade à incapacidade total; da adequação à inadequação; da estima à não estima; da vulnerabilidade à resiliência; ou seja da rigidez à flexibilidade.




terça-feira, 24 de junho de 2008

Culpada ou abusada?



A senhora K recebeu um telefonema sendo cobrada por sua amiga:- Eu disse à você que devíamos tomar uma atitude no bairro, a atitude não foi tomada e outras pessoas a tomaram. Fizeram antes de nós e serão reconhecidos por isto!


A senhora K, ficou triste de imediato, seu pensamento foi: - Eu não tomei mesmo a atitude que ela esperava. Errei, falhei mais uma vez!


A senhora K percebeu que estava ficando triste e detectou um movimento que já conhecia (primeiro se sentia cobrada, depois culpada, depois triste e desanimada, culminando com a idéia depressiva de que por mais que tentasse acertar não conseguiria, não adiantaria, sempre acabaria como a pessoa errada.).


As evidências mostravam que não era de sua responsabilidade a atitude cobrada, mas sim das pessoas do bairro, inclusive da reclamante. Que muito falava e pouco fazia.


Seu pensamento alternativo foi:- Mais uma vez eu estou justificando a atitude de alguém (com uma falha que não tive) para ser aprovada e não criticada. Deixando de enxergar que está havendo uma "folga", um abuso da pessoa em relação a mim.


A senhora K sentiu-se incomodada também com a idéia de abuso. Sabia que não era a única responsável (personalização interna), mas a incomodava pensar que apenas os outros eram responsáveis (personalização externa), afinal também fazia parte do bairro. A senhora K concluiu que não era uma crítica e nem um abuso. Então lembrou-se que a meta dos moradores do bairro era a união de todos para uma melhoria que os beneficiassem. A questão não era quem estava errado, mas sim o quê poderia ser feito para alcançar a meta; talvez sua amiga estivesse nervosa naquele momento e tenha apenas se preocupado com a meta para pedir-lhe ajuda.


A senhora K percebeu que, mais uma vez, estava avaliando a situação de modo radical, ou tudo ou nada.





Muitas vezes analisamos as situações de modo extremo e categórico, sem perceber que entre os dois polos existem outras considerações a serem feitas com flexibilidade. Acreditamos de imediato nos pensamentos automáticos que afloram em nossa consciência e somos afetados emocional - comportamental - física e socialmente por eles.

Como se libertar dos extremos?

Perguntando-me: - Qual é a minha meta nesta situação?

Perguntando ao outro:- Qual é a sua meta nesta situação?

Não caminhe em direção alguma sem saber qual a sua meta de chegada; a não ser quando sua meta for andar, apenas andar.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Mude e aumente a possibilidade de mudar o outro.


Primeiro: psicológicamente, só você muda você. Só o outro muda o outro.
As mudanças devem começar a serem feitas em você, de modo perceptível aos sentidos dos outros. Na medida em que outro percebe sua mudança ele altera o conceito que tem de você. Esta percepção afetará o conceito que ele tem de como deve ser o relacionamento com você. Ou seja, ele muda nele mesmo o conceito que ele tem de você. E poderá fazer em seguida, decorrentes desta primeira (conscientemente, ou não) outras mudanças. Entre essas mudanças aquela que tanto você gostaria.
Portanto, quando você desejar uma mudança no outro comece mudando a si mesmo!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Como jogar vacas no precipício: separações ou superações?

Frequentemente orientamos nossos esforços em aumentar o nosso controle em relação ao que nos gera desconforto. Numa situação ficamos atentos e nos habituamos a abstrair seletivamente o que pode nos tirar da estabilidade, de modo a rapidamente tentar controlá-lo evitando o surgimento do descontrole (físico, social, emocional, etc). Fazemos antecipações automática e continuadamente, planejando ou executando estratégias de enfrentamento ou de fuga ao possível desconforto.

Podemos nos tornar hábil em esquivas comportamentais, cognitivas e emocionais.
Podemos nos tornas hábeis em detalhes e perfeições.

Tudo isto pode ser bom, tudo isto pode ser ruim.
Avaliar cada situação com evidências e pragmatismo nos ajudará a dirimir as dúvidas e redirecionar para desfechos funcionais e saudáveis.

O conforto é bem vindo, mas muitas vezes perdê-lo no precipício pode nos abrir para uma evolução que não imaginávamos ou temíamos.

Lembre-se da parábola da vaquinha.

" Um fílósofo passeava numa floresta com seu discípulo quando avistou um casebre. Lá morava uma família muito pobre, cujo único bem era uma vaquinha. A família sobrevivia do leite que a vaquinha dava e assim iam vivendo.
O filósofo terminou a visita e com seu discípulo foi embora,
Ao chegar no meio do caminho disse ao seu discípulo que jogasse a vaca no precipício que existia alí adiante.
O discípulo espantou-se com esta ordem e obedeceu. A vaca morreu na queda e eles partiram.
Anos se passaram e um dia o discípulo resolveu voltar ao mesmo lugar e para a sua surpresa, encontrou tudo transformado e a família muito bem de vida. O dono da casa então conta para ele que justamente no dia de sua visita e do filósofo e seu único bem, a vaquinha havia, morrido. Então para sustentar a família ele teve que plantar vários ítens que se multiplicaram e ele foi progredindo muito na vida. Não havia dado conta de seu potencial e do potencial de sua terra até que a vaquinha morreu".

Não sacrifique as margaridas em nome do amor.


Quem nunca despetalou uma margarida branca brincando de mal me quer - bem me quer, torcendo para que a última pétala fôsse a do bem me quer?

Enquato despetala a pobre flor a pessoa firma seu pensamento na pessoa amada, e torce compulsivamente (ou seria obsessivamente?) para que a adivinhação seja positiva.

A euforia ou o desânimo, tudo ou nada, oito ou oitenta, ter alguém ou ficar solitário para o resto da vida!

A única coisa que não é questionada é se despetalar margaridas é uma forma comprovada de adivinhar o sentimento do outro. Nada demais quando se é adolescente e o sofrimento é acompanhado de uma boa dose de otimismo mesmo quando a última pétala é a do mal me quer. Afinal sempre é possível iniciar a adivinhação com outra margarida até que a profecia nos favoreça.

Leitura mental? Argumentação mental? Catastrofização, otimismo irrealista? Imaturidade? Desespero?

Um pouco de tudo, mas principalmente uma estratégia compensatóra de controle para amenizar a crença de vulnerabilidade derivada da crença de não estima.

Precisamos aprender a não sacrificar as margaridas, mas talvez oferecê-las a quem desejamos que nos estime. Não que isto garanta a realização de nossa meta, mas que aumenta, aumenta!

Precisamos nos habituar a investigar a comprovação de que algo de fato funciona ou não.

sábado, 8 de março de 2008

Reflexão e Opinião: - Amor: é possível ser comprovado?


Não.
O amor é subjetivo e individual, percebido e avaliado apenas na fonte, ou seja, pelo sujeito em quem ele brota. Cabe ao sujeito, se quiser, relatar o que só ele pode contatar, seu sentimento.

O sujeito pode estar relatando o amor, mas o amor relatado nunca será o mesmo sentido e muito menos percebido pelo outro. Ou seja, a primeira interferência no fenômeno se dá pelo próprio sujeito que na impossibilidade de "dar" o amor como sente, estará apenas relatando o que sente. A segunda interferência é a de quem ouve o relato com o seu idiossincrático modo de ouvir para conceitualizar e sentir.

O amor percebido é um fenômeno alterado talvez por isso gere tanta desconfiança e desespero naqueles que tentam possuí-lo. Não se possui um pássaro liberto, e se for possuido ele já não será mais ele mesmo, mas sim um espectro de si mesmo.

Tenho conhecido muitos pacientes que sofrem por ciúmes tolerável e ou patológico.
Acham que o amor do outro é da sua conta. Acham que deviam ter a dimensão concreta, mensurada do sentimento do outro. Acham que é possível seduzir, solicitar, pressionar, controlar, manipular algo que nunca poderão sentir...o sentimento do outro. Não percebem que também o outro tem esta limitação.

Equivoca-se o que pensa que passará o amor e não apenas o relato do amor, e também o que acredita que terá o amor e não apenas o relato do amor.

É uma interminável e depressiva espera; a prova de que a meta foi alcançada jamais existirá.

É possível cobrar dívidas concretas que serão pagas com provas concretas: promissórias, cheques, dinheiro, etc. Quando o pagamento é feito não fica dúvidas. Mas o amor não é uma dívida é uma dádiva.

Ao perceber-se amando e esforçar-se em relatar e mostrar esse sentimento o mais próximo possível do concreto ao outro o amante estará fazendo o seu máximo, exercendo o máximo da capacidade humana de transmitir o fenômeno inerente do amor.

Desista de pegar o amor confie nos frutos dele, pois é apenas o que lhe resta. O relato e as ações podem ser frutos do amor; podem, mas ninguém poderá garantir que é, apenas aquele que o sente. E se esta pessoa é digna de sua confiança então é possível que haja amor, pois o mais valioso fruto do amor é a confiança. Não a dele, mas a sua, a que você sente e aposta.

Acreditar em relatos do sentimento sempre será um risco, mas o risco maior é nunca acreditar!

O copo está cheio ou vazio?


Dirão os realistas: - Está na metade, nem vazio e nem cheio. Uma fala fundamentada na visão que considera o aqui agora.
Dirão os pessimistas: - Está quase vazio e vai acabar! Uma fala fundamentada na visão que considera o futuro catastrófico, que gera ansiedade.
Dirão os otimistas: - Está quase cheio e vai transbordar daqui a pouco! Uma fala fundamentada na visão que considera o futuro promissor, que gera esperança.

Exame baseado em evidências:
Os realistas conseguirão comprovar o que estão dizendo imediatamente.
Os pessimistas e otimistas não conseguirão comprovar de imediato, mas manterão suas previsões devido ao seu alto nível de confiabilidade.

O que os pessimistas e os otimistas têm em comum?

- Ambos têm um nível de confiabilidade muito alto. Ambos confiam em suas previsões e investirão suas energias e disponibilidade considerando-as como verdadeiras; ativados pelos seus esquemas.

No caso dos otimistas saudáveis suas esperanças o motivam na direção de suas metas.
No caso dos pessimistas suas previsões catastróficas os mantém em constantes movimentos de defesa para diminuir sua vulnerabilidade cognitiva; comprometem seu bem estar e são candidatos ao estresse nas fases de quase exaustão e exaustão.

Uma investigação sobre o futuro baseada em evidências poderá diminuir a possibilidade de fracasso.

Evidências a serem investigadas:
- de viabilidade (são estratégias possíveis?),
- de produtividade (estão adequadas a capacidade do sujeito?)
- e de funcionalidade (há grande possibilidade de alcançar a meta programada?).

O questionamento socrático onde perguntas levam a auto-investigação com valência emocional é uma técnica recomendável na investigação das evidências.

devemos sempre lembrar que mesmo as questões mais óbvias para nós não têm a mesma valência emocional para o outro que estará funcionando num plano mais racional; o que muitas vezes leva-nos a ouvir que o outro entendeu, mas não compreendeu (ou vice-versa).

Exemplo: Quando você diz que este copo ficará vazio como você imagina que isto acontecerá?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Quando as pessoas regem a vida de alguém.

É possível acreditar que as pessoas tem mais poder que você, que todas elas saibam sempre o que é o certo? Que todas elas estão mais preparadas para ter sucesso que você? Que todas elas estão de olho em você, sempre que você aparece? Que todas elas vivem julgando você? Que todas são perfeccionistas e intransigentes? Que são negativas e destrutivas? Que têm muito valor e muitos conteúdos para oferecer à você, desde que você passe no exame de avaliação rígido que sempre estão dispostas a fazerem em relação à você?

Sim, é possível acreditar que possam reprovar você? Isolar você? Não acolherem você? Rotularem suas atitudes como INADEQUADAS.

- Isto é terrível, não posso deixar que isto aconteça! (Disse a senhorita Z, no início de dezembro de 2007.)
- É por isto que estou sempre alerta me policiando para não fazer besteiras nem dar motivos para que falem de mim.
- Quando me elogiam respondo de imediato que não sou bem assim como estão dizendo. Outro dia elogiaram o meu cabelo. Respondi que meu cabelo tinha pontas quebradas. As pessoas querem agradar e não falam sempre a verdade, se acredito posso me dar mal depois.
- Evito festas e reuniões.
- Cuido da minha pele e do meu corpo; não quero dar motivos para que reparem em mim. Não tiro fotos, não ponho biquini. Evito aparecer ou me destacar.

Como podemos ver a senhorita Z, parece acreditar que conhece bem as pessoas, que sabe quais os pensamentos e sentimentos que elas têm o tempo todo. No entanto, não consegue apontar qual pessoa está pensando o quê, por qual razão, para qual finalidade. Ela diz: - Só de pensar que me julgam já fico apavorada e me protejo, me isolo...

Quando a senhorita Z tomou contato, na psicoterapia, com o ABC de Beck e seus ERROS COGNITIVOS, ela se encorajou e passou a não fazer mais LEITURA MENTAL, PERSONALIZAÇÃO, HIPERGENERALIZAÇÃO, CATASTROFIZAÇÃO E MAGNIFICAÇÃO/MINIMIZAÇÃO.

Depois de umas férias, a senhorita Z voltou para sua quarta sessão. Seu desempenho funcional pode ser comprovado de imediato. Logo que entrou em minha sala abriu um albúm de fotos, no qual aparecia em mais de sessenta por cento das mesmas. Entusiasmada enfatizou: - Eu não acredito mais que devo viver de acordo com o que EU imaginava que os outros pensavam sobre mim.

- Não sei o que pensam, não sei porque pensam ou para qual finalidade. Isto é problema deles. Eu sei o que eu penso e eles não parecem preocupados em não saberem o que vai na minha cabeça.

- Estou muito feliz. Eu pensava que ia ficar aqui (na terapia) um ano, mas hoje percebo que todos os problemas estavam ligados a uma só razão que era a preocupação com o julgamento dos outros (inadequação). As vezes me pego pensando como antes, mas na hora não acredito mais e fico bem. Será que ficarei bem para sempre?