TCC 2015

TCC 2015

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O ESTRESSE É UM SINAL DE QUE A HORA DE PARAR JÁ PASSOU


É importante que as pessoas façam esforços para se adaptarem as diferentes situações no dia a dia, sejam situações positivas ou negativas, mais ainda mais importante é que seus esforços não ...
Programa Rádio Mulher de 16 de agosto de 2006.
Consultor Arnaldo Vicente, Psicólogo Especialista em Terapia Cognitiva.
É importante que as pessoas façam esforços para se adaptarem as diferentes situações no dia a dia, sejam situações positivas ou negativas, mais ainda mais importante é que seus esforços não extrapolem os limites de sua capacidade de adaptação física e psicológica.
1- O que é o estresse?
Estresse pode ser definido como um estado de tensão que desequilibra, prejudica internamente o organismo.
O desequilíbrio ocorre quando a pessoa está diante de uma mudança significativa e necessita de uma adaptação por parte do seu organismo que ultrapassa sua capacidade de adaptação.
Ou seja, o estresse é uma reação que ocorre quando nos esforçamos para nos adaptarmos a uma situação importante. Ele pode ser negativo ou positivo.
2- Quando o estresse é negativo?
O estresse negativo é o estresse em excesso. Ele ocorre quando os esforços ultrapassaram seus limites e esgotaram a sua capacidade de adaptação. A pessoa gastou suas energias como se acreditasse que elas não tivessem limites, nunca acabassem.
O organismo fica comprometido e sua energia mental fica reduzida. Sua capacidade de ação fica muito prejudicada; a pessoa não consegue manter-se equilibrada e a sua qualidade de vida fica prejudicada, podendo inclusive adoecer.
3- Quando o estresse é positivo?
O estresse positivo é o estresse em sua fase inicial, isto é, a pessoa fica motivada e entusiasmada, cheia de energia. O seu interesse é tão grande que ela pode passar por períodos em que dormir e descansar passa a não ter tanta importância, é a chamada “fase de alerta”.
Na fase de alerta o organismo produz adrenalina que dá ânimo, vigor e energia, fazendo a pessoa produzir mais e ser mais criativa. É a fase da produtividade.
O problema é que ninguém consegue ficar em alerta por muito tempo, pois o estresse se transforma em excessivo, ou negativo, quando dura demais.
4- Quando o estresse fica num nível ideal?
Estresse ideal: é quando a pessoa aprende o manejo do estresse e gerencia a “fase de alerta” de modo eficiente, alternando entre estar em alerta e sair de alerta.
O organismo precisa entrar em homeostase* após uma permanência em alerta para que se recupere. Não há dano em entrar de novo em alerta após a recuperação.
Doenças começam a ocorrer se não há um período de recuperação, pois o organismo se exaure e o estresse fica excessivo devido a algum evento estressor forte demais ou porque se prolonga em excesso.
* Propriedade auto-reguladora de um sistema ou organismo que permite manter o estado de equilíbrio de suas variáveis essenciais ou de seu meio ambiente.
3- Que fatores contribuem para o estresse?
Os fatores são as tensões de fontes externas e internas de acordo com a sua natureza.
4- Quais são os fatores de fonte externa?
São os eventos externos criadores de tensão que ultrapassam a habilidade das pessoas se adaptarem ao ritmo em que ocorrem. Eles geram inseguranças e incertezas. Exemplos:
- Atender as exigências de uma atividade profissional.
- Atender as exigências de outra pessoa.
- Atender a mudanças inesperadas como a perda de emprego tendo contas a pagar.
- Envolver-se em competição excessiva sem saber onde e quando vai chegar.
- Ser dominado pelo desejo intenso de "possuir" mais que os outros.
- Fazer tudo com pressa.
Atender a pressão diária de ser sempre bem-sucedido.
- Tentar resolver tudo de uma vez, etc.
5- Quais são os fatores internos?
Além das causas externas de estresse mencionadas acima, que são fáceis de serem reconhecidas, existem outras causas que nem sempre são discutidas:
- Expectativas irrealistas ou metas fracassadas: - Não descansarei enquanto não muda-lo..
- Cognições distorcidas: - Esperam que eu sempre faça mais para me estimarem mais.
- Perfeccionismo: - Se eu errar estou perdido.
- Sonhos inalcançáveis, desejos e fantasias.
- Pensamentos ansiosos: as pessoas percebem os desafios como gigantescos e logicamente se estressam mais:- Eu morro só de pensar em andar de avião.
- vulnerabilidades psicológicas e vulnerabilidade genética são apresentados como fontes internas de estresse: - O homem morre um dia (genético), então vai ser amanhã(idéia).

6- Pessoas que se estressam pelas duas fontes ficam mais estressadas?

Sim, isto vai contribuir para que a pessoa fique mais estressada, mas o que vai determinar o nível de estresse dessas pessoas são dois fatores: o que ela pode fazer para enfrentar a fonte de estresse e o quanto ela pode acredita que pode ser afetada por essa fonte.
A interação entre o que ela pode fazer para enfrentar a fonte de estresse e o quanto ela acredita que pode ser afetada por essa fonte é discutida como possível fator potencializador ou atenuante.
Exemplo: Geneticamente a mulher é mais forte que uma barata, mas aprendeu durante sua vida que...
7- Você falou que o estresse pode levar a pessoa a adoecer?

Sim, na medida que a pessoa apenas gasta energia todo o seu organismo vai ficando alterado e suas funções podem ficar comprometidas.
8- As pessoas são mais estressadas hoje do que antigamente?
O homem vive hoje de modo muito diferente de antigamente e esses novos hábitos nem sempre representam avanços do ponto de vista da qualidade de vida.

9- O que é uma boa qualidade de vida?
Uma boa qualidade boa qualidade de vida consiste em estar bem nas áreas afetiva, social, profissional ou escolar e a saúde. Estar bem apenas em uma área não é sinal de qualidade de vida.

10- No Brasil as pessoas andam muito estressadas?
No Brasil as mudanças estão ocorrendo em ritmo vertiginoso e isto colabora para que o nível de estresse da população esteja alto.
Muitos estudos (dissertações de mestrado e teses de doutorado realizadas por psicólogos na PUC–Campinas) revelaram um alto nível de estresse em camadas da população as mais variadas.
Por exemplo: os trabalhos que estudaram o estresse ocupacional de alguns profissionais revelaram um alto nível de estresse em executivos – tanto homens, como mulheres, em policiais militares, professores e bancários.
11- Então o estresse ocorre mais na área profissional?

Curiosamente não, as mudanças ocorridas no nível da organização da sociedade estão correlacionadas mais com a saúde.

Por exemplo, no século passado a causa mais freqüente de morte era a infecção, hoje em dia a causa mais freqüente é as doenças cardiovasculares.

A hipertensão arterial é responsável por uma grande parte das mortes devido a acidente vascular cerebral.

E mais, enquanto mais homens que mulheres sofriam de enfarte do miocárdio e de morte cardíaca súbita, hoje o número de mulheres acometidas por esses males sobe assustadoramente.


Um dos fatores contribuintes para a origem dessas doenças é inegavelmente o estresse.

12- Existem outras doenças por conta do estresse?


Sim, no caso dos bancários foi surpreendente verificar a alta incidência de doenças cuja origem se julga envolver o estresse, tais como hipertensão arterial, úlceras, problemas dermatológicos, retração de gengivas, etc.

13 – O estresse pode continuar aumentando/

Vou responder com as palavras de uma grande conhecedora deste assunto, Marilda Lip:

- Em uma sociedade em mutação como a nossa, imatura ainda em seu desenvolvimento, porém com um potencial imenso para realizações e progresso, há de se prever que o estresse continuará presente ou tenderá a aumentar.

É de se prever também que haja um aumento cada vez maior de doenças psicofisiológicas ligadas ao estresse a não ser que medidas profiláticas de ensino de manejo e gerenciamento do estresse sejam implementadas e que o tratamento do estresse seja oferecido como parte de planos de saúde a nossa sociedade que na maioria das vezes sente os efeitos do estresse sem sequer saber identificar o que ele é.

14- O que fazer para não ser dominada pelo estresse?

Desse modo, propõe-se que seja possível, pelo menos, reduzir a predisposição ao desenvolvimento da reação do estresse emocional por meio de medidas psicológicas que se baseiam na reestruturação cognitiva e que tenham por objetivo a reformulação de pensamentos estressógenos.



Essa afirmação se baseia no vários estudos (Torrezan, 1999; Brasio, 2000; Vilella, 2001; e Tanganelli, 2001) que têm comprovado a eficácia do treino de controle do estresse (Lipp, 1984; Lipp e Malagris, 1995) na redução de crenças irracionais ou pensamentos disfuncionais como descritos por Ellis (1973) e Lega, Caballo e Ellis (1997) e no nível geral de estresse das várias populações estudadas.



15- Como saber se estou estressada?

Mas, se você ultimamente está sempre irritado, perdendo a paciência com todos, com azia diária, se o cabelo está caindo e se acorda segunda-feira com o corpo de sexta-feira, pode ser que o stress tenha entrado em sua vida. Isto acontece às vezes tão devagar que a pessoa não percebe. Outras vezes há algo grande que ocorre e que nos leva ao stress de imediato.

Se descobrir que está com stress, tenha calma. O stress tem cura e você pode aprender a controlar o stress em sua vida. Existem tratamentos especializados para isto que podem ajudá-lo a se recuperar e a nunca mais ter stress excessivo.

Eliminar os sintomas de stress é importante porque a pessoa passa a se sentir melhor. Se alguma doença ligada ao stress já apareceu, procure um médico especialista na área afetada. Mas, é sempre bom saber as causas do stress e descobrir como lidar com elas de modo a não se estressar mais no futuro. Para isto, um psicólogo especializado em stress deve ser consultado.

Consulte: http://www.estresse.com.br/

NÃO COMECE O ANO POR BAIXO, VOCÊ PODE MUDAR O SEU ASTRAL.



O novo ano começou e cada pessoa tem novas oportunidades para tornar-se uma pessoa feliz ou mais feliz, forte ou mais forte, satisfeita ou mais satisfeita com a sua vida. . Mesmo assim podem existir pessoas que já neste início de ano estejam tristes, ansiosas, irritadas ou desanimadas. Saber que sua visão sobre os acontecimentos produzem e pioram esses estados é uma boa saída para tornarem-se alegres, calmos e animados.
Programa Rádio Mulher de 01 de fevereiro de 2006
Consultor Arnaldo Vicente, Psicólogo Especialista em Terapia Cognitiva.1 – O que é começar o ano por baixo?
É começar e continuar o ano ficando tristes pelas perdas passageiras, ansiosas pelo que ainda não aconteceu, contrariadas pelo que não dá para mudar e desanimadas porque gostaria que todas as coisa acontecessem exatamente do seu jeito.
2- Como parar de ficar por baixo e aumentar o astral?
Lembrando que é nossa forma de avaliar as situações que nos deixam tristes, ansiosos, irritados ou desanimados.
3- Como?
Desafiando, enfrentando o seu baixo astral.
-Se houve perdas concentre atenção nos seus ganhos ou mesmo no que você não perdeu. A alegria voltará gradualmente.
-Se houve ameaças, identifique-a, analise sua grandeza, sua possibilidade de ocorrer, faça-a ficar no tamanho dela. Depois peça ajuda, se não tem ajuda pense em como você pode tornar-se mais forte, mesmo que não seja rapidamente.
-Se houve contrariedades lembre-se que as pessoas são diferentes e agem do modo delas; agir diferente nem sempre é para ficar contra você. Você também age diferente e diz que não foi para ser contra ninguém.
-Se as coisas não ocorreram exatamente como você esperava, seja flexível, reconheça o quanto conseguiu e desenvolva outras formas para continuar evoluindo. Não seja da turma do tudo ou nada, quem tudo quer nada tem.
4- E quando a pessoa deve enfrentar o seu baixo astral?
Logo que perceber que está ficando triste, ansioso, irritado ou desanimado.
Ela deve conversar consigo mesmo, ter um tempo para essas conversas.
Existem situações que a melhor atitude é pedir licença para ir ao banheiro e só voltar depois de uma conversa consigo mesmo.
Em outras é preciso ser firme e dizer que precisa de mais tempo para avaliar com atenção o que aconteceu.
5- Conversar consigo mesmo é fácil?
Nem sempre é fácil, quando estamos ansiosos ou irritados nossos pensamentos ficam acelerados e isto nos faz pensarmos que precisamos agir na hora.
Nestes casos o melhor é primeiro se afastar para o medo diminuir, depois respirar com calma de 01 a 05 e depois soltar o ar contando de 05 a 01. A ansiedade ou a irritação diminuem e o diálogo consigo fica mais fácil.
No caso do desânimo a primeira coisa seria fazer alguma coisa que gosta, sozinho ou acompanhado e assim que o ânimo voltar e estiver mais tranqüilo conversar consigo mesmo.
6- Existem muitas pessoas assim?
Todos nós em algum momento podemos nos sentir tristes, ansiosos, irritados ou desanimados.
7- Como podemos ajudar estas pessoas na nossa família, no dia a dia ?
Conversando sobre suas idéias sobre a situação em que começaram a ficar mal. Ter interesse e paciência em ouví-las.
Deixar que elas falem com suas palavras sobre o que está acontecendo, não apressá-las. Deixar claro que não é um peso ouví-las.
Incentivá-las a falarem sobre as saídas que imaginam, as soluções que gostariam de dar para seus problemas.
E só depois de ouvi-las perguntar se gostariam de ouvir a sua opinião sobre o assunto.
Às vezes é melhor falar algum tempo depois. O fato de serem ouvidas já colabora para sua melhora.
8- Ficar apavorado em querer ajudá-las pode atrapalhar?
Sim, quando estamos apavorados estamos prestando atenção em nossas idéias de ansiedade e não ouvimos aa idéias da pessoa mais importante.
As pessoas podem ficar defensivas e a oportunidade de ajudá-las fica mais difícil.
9- Devemos pegar o problema dessas pessoas e resolver como se fossem nossos?
De jeito nenhum, ninguém sente exatamente o que o outro sente. Não conseguimos saber exatamente o tamanho de sua emoção ou de seu sofrimento, assim como as outras pessoas não podem sentir exatamente o que sentimos quando nós é que estamos com problemas.
Devemos ter em mente que somos colaboradores e achar a melhor maneira de colaborar com as essas pessoas.
A pessoa pode ou não ser beneficiada pela nossa colaboração, isto quem determina é ela.
Ao esquecer que somos colaboradores passamos a crer que temos que determinar o que é bom para o outro e ficamos irritados porque elas não pensam como nós.
Outras vezes ficamos achando que falhamos e somos incompetentes ou que não seremos mais gostados porque não determinamos sua melhora.
Ou seja, tentamos ajudar alguém a sair do baixo astral e nos afundamos nele..
10- O que essas pessoas podem fazer neste momento?
Respondam: se nas outras vezes em que já ficaram assim elas conseguiram alcançar seus objetivos e realizarem seus sonhos?
Respondam: se conhecem alguém que agindo assim foram bem sucedidas?
Respondam: se alguém que elas amam estivessem nesta situação o que lhe diriam?
Respondam: quantas vezes pensou que tudo estava perdido e não era verdade?
E para terminar: respondam como elas gostariam que sua vida estivesse daqui a uma semana, daqui a um mês, daqui a um ano?
"Uma situação não determina como nos sentimos,
mas sim o modo com a construímos"
Aaron Beck

Mitomania



MENTIRAS: DIVERSÃO, DEFESAS ACEITÁVEIS OU MITOMANIA? Programa Rádio Mulher de 12 e 19 de abril de 2006.Consultor Arnaldo Vicente, Psicólogo Especialista em Terapia Cognitiva.
________________________________________
Dizem que quem diz que nunca mentiu está mentindo. A pessoa que mente jura que não mentiu, mas que apenas omitiu, que escondeu para que as coisas não ficassem piores. A mentira aflora na infância como uma diversão, mas quando é freqüente pode gerar dúvidas entre o que é imaginação e verdade. Como lidar com a mentira na infância, na adolescência e na fase adulta?

1- Mentir é humano?
Sim, mentir é humano. "Mente quem diz que não mente", diz Suzy Camacho, psicóloga e terapeuta familiar, autora do livro "O Guia Prático dos Pais".

2- A criança recorre as mentiras?
Sim. No início como uma diversão e depois para fugir de uma punição severa ou na tentativa de não decepcionar os pais.

3- Mentir é um comportamento normal da criança?
Em grande parte dos casos sim, porque suas histórias são inofensivas e este comportamento não é um hábito.
É normal que as crianças de quatro a cinco anos pelo processo psicológico se divirtam ouvindo e inventando histórias, confundindo a realidade com a fantasia.
Mais ou menos a partir dos sete anos de idade elas aprendem a diferenciar o pensamento baseado na realidade e na fantasia.

4- Quando mentir deixa de ser um comportamento normal?
Quando estiver se transformando em um hábito, uma prática comum na vida da criança.
Isto mostrará que a criança não está sabendo o limite entre a fantasia e a realidade.
Nem tem noção do que pode ser errado e prejudicial, tanto para ela como para as outras pessoas.

5- Como agir quando isto acontecece?
Quando descobrem que as pessoas podem ser enganadas.
A partir dessa descoberta podem mentir em proveito próprio, para evitar castigos ou para receber alguma recompensa.
As crianças compreendem a necessidade de mentir tanto mais cedo quanto mais inteligentes elas forem.

6- Como é a mentira na adolescência?
Nesta fase os jovens:
- Já diferenciam com certa precisão o que é real e o que é imaginário;
- Já fazem avaliações sobre possíveis conseqüências de suas atitudes;
- Já têm algumas idéias predeterminadas sobre o modo de agir das pessoas em relação as suas atitudes quando consideradas como inadequadas.
- Já descobriram que as mentiras, suas e dos outros, podem ser aceitas em algumas ocasiões.
7- Que idéias podem contribuir para que os adolescentes mintam?
- A idéia de que será motivo de zombarias por parte das outras pessoas. Exemplo: não dizer a razão correta e verdadeira de ter faltado às aulas porque estava com diarréia.
- A idéia de quê precisa manter a sua privacidade e independência. Exemplo: não dizer onde foi ou quem saiu de madrugada.
- A idéia de que não será compreendido ou ajudado em problemas sérios, como, por exemplo, quando consomem drogas ilegais ou álcool.
- A idéia de que serão rejeitados, ironizados ou desmoralizados quando falharam em escolhas que não tinham o apoio de seus pais. Exemplo: término de namoros, insatisfações acadêmicas ou profissionais.
8- E a mentira na fase adulta?
- O adulto mente para manter uma boa atmosfera familiar. Segundo pesquisadores da Universidade da Virgínia em Charlottesville, os cônjuges e familiares são vítimas de dois terços de todas as mentiras graves.
- Mentem para conquistar pessoas e cargos usando “jeitinhos” e charmes ao invés qualidade, capacidade e perseverança.
9- Que idéias levam o adulto a mentir?
As principais idéias são aquelas que dizem respeito a sua relação com as pessoas:
- se eu mostrar quem eu realmente sou ou as coisas que realmente fiz as pessoas não vão querer saber de mim; serei visto como fracassado por ser incapaz, inadequado e sem valor.
10- Como poderiam agir para não mentirem?
Investigar se estão analisando os fatos baseados em comprovações e também perceberem se utilizar a mentira ajuda a alcançar seus objetivos.
11- O que acontece com as pessoas que criam o hábito de mentir?
Desenvolvem o que chamamos de mentira patológica, de síndrome de Pinóquio ou mitomania; é uma doença que precisa de tratamento psiquiátrico e psicológico.
12- O que é a mitomania?
É uma doença definida como uma forma de desequilíbrio psíquica caracterizado essencialmente por declarações mentirosas.
Diferente dos contos infantis, como o de Pinóquio, e das histórias de pescador a mitomania – compulsão mórbida pela mentira – é a necessidade descontrolada de freqüentemente fazer uso da mentira.
È considerada como um transtorno específico de personalidade que merece atenção e cuidados.
Foi descrita e assim denominada há apenas um século, por um médico francês, o professor Ernest Dupré, psiquiatra e médico-chefe da enfermaria da Prefeitura de Polícia de Paris, em 1905.
13- Como começa a mitomania?
O que se sabe, seguramente, é que há fatores do ambiente familiar responsável por este tipo de conduta. Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente.”
A descoberta da realidade é um martírio para essas pessoas.
"A maioria das mitomanias é bem construída e se alimenta de histórias verossímeis", sendo assim, é lógico que as pessoas próximas se deixem atrair para o jogo, pois não podemos de todo modo começar a suspeitar de que todos são mitômanos".
14- Qual o perfil psicológico da pessoa que apresenta a mitomania ou a mentira patológica?
Poderíamos começar dizendo que o mentiroso compulsivo, no fundo, tem baixa auto-estima e, através das falas fantásticas e dos acontecimentos inventados procura a admiração dos outros que, por si mesmo, pensa não ter.
“De um lado, o mitômano sempre sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro”.
Mas ele também sabe que isso deve ser verdadeiro para que lhe garanta um equilíbrio interior suficiente.
Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva exterior; de tanto mentir, ele mesmo já acredita na própria mentira!
Ele tem necessidade de contar essa história e acreditar nelas para se sentir tranqüilizado e de acordo consigo mesmo. A mentira é uma finalidade em si.
É muito diferente do mentiroso ou do fraudador, que têm finalidades práticas, onde a mentira é apenas um meio para outros fins.
Há um sentimento de prazer e de poder que pode facilmente incitá-la a recomeçar.
Na mentira patológica ou compulsiva a pessoa mente pelo prazer de mentir.
A mentira é uma forma dela existir, de chamar a atenção para si mesma.
Está-se com algum problema estomacal, por exemplo, é capaz de dizer que está com câncer, se fez feijão com salsicha diz que almoçou estrognofe de camarão, se compra um quadro diz que foi ela que pintou e acredita nas próprias mentiras.
O pior é que o que mais deseja - ser amada através deste outro personagem que criou, acaba provocando é o efeito rebote - acaba perdendo amor e carinho porque ninguém agüenta tanta mentira.
É digno de atenção psicológica.
A maioria das pessoas mitomaníacas consegue permanecer com sua vida profissional e social em níveis mais ou menos normais; outras, têm prejuízo ocupacional significativo e, com o tempo, se isolam socialmente.
São também pessoas que têm características de personalidade megalomaníaca (grandeza), erotomaníaca (amoroso) e outros.
A mitomania deixa a pessoa vaidosa, maligna e perversa e tem fortes carências afetivas.
Normalmente, são também pessoas inseguras.
Há uma sensação no compulsivo de não ser bom o suficiente por si mesmo. Então, tudo ele quer transformar em mais glamouroso.
O mitômano usa a mentira de forma consciente para ludibriar pessoas, tirar vantagens.
A amoralidade e a insensibilidade são suas marcas registradas.
A mentira vira um estilo de vida.
O mitômano não admite a mentira nunca. Também não se abala ao tê-la descoberta. Ao contrário, quando demonstra abalar-se não passa de mera interpretação para enganar ainda mais as pessoas.
15- Qual o melhor tratamento para a pessoa que mente compulsivamente?
Tratar o mentiroso é uma coisa difícil por diversas razões.
A primeira delas é que raramente eles procuram ajuda, a não ser quando vão perder o cônjuge, o emprego ou algo importante.
A segunda é que mentem justamente porque não querem se deparar com a própria insuficiência.
Optam pela comodidade de viver sonhos, ainda que isso signifique a própria destruição ou a daqueles que estão em sua volta.
O melhor tratamento exige cuidados que associam o tratamento com psiquiatras e psicólogos.
O objetivo é que os medicamentos atuem na compulsão e a psicoterapia o auxilie a fazer a separação entre o mundo de verdade e o mundo de imaginação, da fantasia e dos sonhos (todos com temáticas megalomaníacas) que levaram a pessoa a desenvolver este falso eu através do qual fogem da realidade.
16- Todas as mentiras são patológicas?
Não. Existem as chamadas mentirinhas utilitárias, quer em situações profissionais, sociais ou mesmo familiares.
17- Como são as mentiras utilitárias?
Nestas mentiras (as utilitárias) há plena consciência do ato; a pessoa mentiu para, por exemplo, benefício de sua imagem pública, para seduzir ou para obter alguma pequena vantagem ou para não se envergonhar perante os outros.
Passada a situação, logo em seguida, este "mentiroso" equaciona a questão e volta à verdade absoluta de sua vida.
Nem sempre esta mentira é algo de má-fé.
Até por educação e gentileza, por exemplo, dizemos à vizinha que nos recebe para um jantar que os pratos estavam deliciosos ou, para alguém que nos pergunta se está bonito, afirmamos sua própria certeza, para não melindrá-lo.
18- Mas há mentiras que são mais sérias que essas, isto significa que a pessoa é mentirosa compulsiva?
Não, este é o mentiroso episódico. . “Já o mentiroso episódico é aquele que mente que está se separando da esposa só para seduzir uma moça. Espontaneamente ou ao ser descoberto, admite a verdade”,
19- Existem mentirosos virtuais?
Sim, são os mentirosos cibernéticos. A Internet tornouse uma das principais armas da modernidade nas mãos de mitômanos ou simples aventureiros da mentira. É possível mentir sem ser descoberto, plagiar e até aplicar pequenos e grandes golpes. O anonimato e a possibilidade de alterar a realidade favorecem o mentiroso, seja o vovô que se passa por garotão com ajuda de uma fotomontagem ou o espertinho que consegue marcar encontros e arrancar dinheiro e viagens de suas vítimas.

20- Você tem algum exemplo de mitomania?

Exemplo: Um homem tinha um pai que era maquinista. Mas fazia questão de repetir a história que ouvira desde cedo, da mãe: para todo mundo, que o seu pai era engenheiro da rede ferroviária. O sogro era diretor de uma empresa de grande porte, mas para os amigos, colocava-o como o dono. Formou-se em História por uma faculdade privada, mas não economizava detalhes para convencer a todos, inclusive para sua mulher, que era graduado pela USP, mestre e doutor. Suas mentiras só terminaram quando ficou atolado em dívidas e morreu dependente do álcool.
Outro exemplo: Uma moça conta histórias elaboradas para conseguir que a loja troque uma roupa que já usou.

21- As pessoas contam muitas mentiras?
Um estudo científico norte-americano, desenvolvido pelo psicólogo Gerald Jellison, da Universidade do Sul da Califórnia, assegura que:
- Acessamos cerca de 200 mentiras por dia, seja ouvindo, lendo ou assistindo.
-Sem contar o período eleitoral, quando, segundo ele, a quantidade é duplicada.
-Todos contamos entre uma e duas dúzias de mentiras diariamente, desde aquele comentário sobre o novo visual da colega de trabalho até a desculpa para não comparecer a um jantar de amigos. São mentiras aceitáveis para a convivência, a medida que podem funcionar como apaziguadores sociais”
Lembrem-se: "Uma situação não determina como nos sentimos, mas sim o modo com a construímos". Aaron Beck
www.ctcbauru.com.br

LIDANDO MELHOR COM A DOENÇA


Até hoje nos habituamos a pensar que a doença é nossa inimiga, que ela vem para nos prejudicar e atrapalhar a nossa vida. São pensamentos que nos dão uma idéia de...
Até hoje nos habituamos a pensar que a doença é nossa inimiga, que ela vem para nos prejudicar e atrapalhar nossa vida. São pensamentos que nos dão uma idéia de fragilidade, gerando medo e comportamentos de impotência ou de enfrentamentos exagerados, como por exemplo exagerar no uso de medicamentos.

1- De modo geral como as pessoas lidam com a doença?

Com negatividade, como algo externo que de súbito nos ataca, desorganizando e piorando nossa vida. São idéias catastróficas que nos assustam, aumentam a nossa ansiedade, provocam um estresse orgânico e dificultam nosso raciocínio de buscar a melhor solução no momento.

2- Como lidar de forma diferente com a doença?

Uma forma diferente seria descobrir se há, comprovadamente, aspectos positivos na doença. Por exemplo: qualquer doença leve ou grave nos força a mudar o nosso ritmo de vida, nos força a sair da rotina, do jeito mecânico que temos de viver no dia a dia.

3- Essa mudança forçada em nosso ritmo pode ser vista como positiva?

Sim, estas mudanças geralmente nos proporcionam mais tempo livre; então, podemos usar esse tempo livre de modo negativo com lamentações e acusações ou de modo positivo refletindo e reorganizando o modo como vivemos.

4- Como?

Podemos parar e pensar quais são as coisas importantes as quais temos nos dedicado nos últimos dias, que resultados temos tido e como estes resultados tem contribuído para nossa saúde física e mental, o que nos falta para nos sentirmos melhor.

5- Isto poderia ser feito também nas doenças graves?

Sim, o que temos observado nos consultórios e hospitais é que quanto maior a gravidade da doença e a sua ameaça a vida, mais profunda pode ser a reflexão e a realização de mudanças em si mesmas, em seus relacionamentos e em sua maneira de viver.

6- Que reflexões ocorrem?

- "O que eu fiz na minha vida até agora?
- O que me realizou como pessoa?
- O que me fez (ou faz) mal?
- O que me falta?".

7-A pessoa faz uma avaliação sobre como viveu sua até agora?

Sim e é nesse processo de avaliação que começam a lidar diferente com a doença – não mais como algo estranho que a surpreendeu, mas como algo de alguma forma ligado as suas experiências, ao que viveram até este momento, às atitudes que mantiveram diante da vida, dos outros e de si mesmas.

8- A pessoa se beneficia quando percebe que como sua vida pode ter contribuído para o surgimento da doença?

Sim, o organismo não está separado das experiências que a pessoa viveu – seus pensamentos, sentimentos, necessidades e crenças - tem uma repercussão no funcionamento do seu corpo. E ao entender de que maneira participou do seu adoecimento, poderá fazer o caminho inverso e participar de sua cura, não apenas através da escolha consciente do tratamento, mas também através da reorganização de sua vida – um reflexo da reorganização dela mesma.

9- Então, quando a pessoa muda internamente, esta mudança inclui mudança de atitudes, sentimentos, crenças e valores. Elas mudam a sua vida, alcançando um nível de bem-estar até então desconhecido, o que repercute favoravelmente no funcionamento do seu organismo?

Sim, ela não vai apenas eliminar os sintomas físicos, mas vai iniciar um processo de renovação da sua pessoa como um todo, abarcando tanto a parte física, como também a parte psicológica.

10- Ao invés de encararmos a doença como nossa inimiga, podemos percebê-la como uma amiga?

Sim, como um sinal enviado pelo nosso próprio organismo de que de alguma maneira estamos ultrapassando nossos limites, negando algumas de nossas necessidades ou não "digerindo" algum sentimento ou experiência. É comum, por exemplo, "engolirmos sapos" e passarmos mal do estômago, ou ainda, nos sobrecarregarmos de tarefas e pegarmos uma virose.

Através da doença o nosso organismo está falando-nos algo a respeito de nós mesmos e de nossas vidas, chamando a nossa atenção para algo que muitas vezes teimamos em não ver e que reclama alguma ação ou mudança de nossa parte. Nesse sentido a doença está sendo nossa amiga.

11- A doença pode colaborar para a mudança e o crescimento pessoal?

Sim, existem pessoas que realizaram mudanças profundas e significativas em suas vidas a partir de uma doença ou acidente grave.

Pessoas mudam seus pensamentos, sentimentos e hábitos quando compreendem que sua rotina anterior o adoeceu e o afastou de conseguir realizar suas metas e seus sonhos.

12- As pessoas doentes quando tem essa visão curam-se mais rápidos?


Sim, pessoas que vêem a doença desta forma entendem que podem contribuir para sua cura. Não ficam tão ansiosas e nem depressivas.


13- Essa postura diferente frente a doença é estimulada pelos profissionais de saúde?

Cada vez mais profissionais compreendem a necessidade desta nova visão sobre a doença, é por isto que em muitos hospitais existem a hora da brincadeira, da brinquedoteca, a presença de familiares por mais tempo e presença de voluntários que levam uma palavra otimista ou atividades que contribuam para melhorar o humor dos pacientes, acompanhantes e funcionários.

14- Em doenças como o câncer esta postura se torna ainda mais importante?

Sim. Olhar para a doença como uma forma de crescimento gera bem estar imediato e esperança em médio prazo. O importante é que a vida no presente fique renovada. Estar bem no presente gera a confiança de que podemos continuar bem em outros momentos.

E é importante frisar que isto pode ser buscado e alcançado independentemente do prognóstico e da evolução da doença, uma vez que o essencial está não na quantidade de anos vividos, mas na maneira de vivê-los.

Esta postura frente a doença funciona como uma auto-terapia que contribui para uma modificação do funcionamento do SNC dando ao paciente um nível de equilíbrio emocional mais estável e , portanto, melhorando o estado geral de saúde e conseqüentemente o ritmo de recuperação das pessoas em tratamento.

15- O que as pessoas que não conseguem olhar o lado positivo da doença deve fazer?

Primeiro devem perguntar qual é o seu objetivo de estar tentando se curar, e depois se perguntar se a sua postura ajuda ou atrapalha-a a alcançar este objetivo.

Se ainda assim a dificuldade permanecer devem conversar com pessoas que confiam ou com profissionais da saúde.

Agradecimentos, pelo texto base, de Lenise Brandão – Psicóloga Clínica e hospitalar com especialização em Psicoterapia e Atualização em Tanatologia e Márcia Belas - Psicoterapeuta e Psicóloga Clínica com trabalho em Psico-oncologia.-

Rua Aviador Gomes Ribeiro 17-38 – Altos – Bauru – SP – F: 3227 1473 e 3224 1544 – w

JOGO PATOLÓGICO


tema: JOGO PATOLÓGICO

Dicas para identificar, esclarecer e incentivar o diagnóstico precoce do jogo patológico.


Jogo patológico pode ser definido pela persistência e recorrência do comportamento de apostar em jogos de azar, apesar de prejuízos em diversas áreas da vida decorrentes dessa atividade.


A investigação sobre a atividade de jogar pode detectar precocemente esse transtorno. Jogadores patológicos devem ser encorajados a procurar ajuda de tratamento adequado.

1 - O jogo pode tornar-se uma atividade de risco?

Sim. Passar algumas horas no bingo pode ser uma atividade de lazer, mas, freqüentemente, pode tornar-se uma atividade de risco.

Jogos de azar vêm se tornando cada vez mais populares em vários países, inclusive no Brasil. Apesar do crescente número de casas de jogos, incluindo bingos e máquinas eletrônicas, não há nenhum controle sobre essas atividades.

Frente ao estímulo para jogar, pouco tem sido feito em termos de prevenção, pesquisas ou tratamento no Brasil.

Jogo patológico tem sido considerado uma questão de saúde pública, havendo um crescente esforço de conscientização de profissionais e da população em vários países.

2 – Como se inicia esse processo?

O jogo começa com pequenas apostas, normalmente na adolescência, sendo mais freqüente entre os homens.

O intervalo de tempo entre começar a jogar e a perder o controle sobre o jogo varia de 1 a 20 anos, sendo mais comum num período de 5 anos.

É freqüente que as primeiras apostas tenham resultado em ganho de uma quantia expressiva de dinheiro.

Podemos dividir o comportamento de jogar em três fases.

3 – Quais são essas fases?

Fase da vitória, da perda e do desespero.

4 – Como é a fase da vitória?

A fase da vitória é quando a sorte inicial é rapidamente substituída pela habilidade no jogo.

As vitórias tornam-se cada vez mais excitantes e o indivíduo passa a jogar com maior freqüência, acreditando (sem questionar-se) que é um apostador excepcional.

Um indivíduo que joga apenas socialmente geralmente questiona-se e pára de jogar aí;

5 – Como é a fase da perda?

A fase da perda é a da atitude de otimismo não-realista passa a ser característica do jogador patológico. Ele acredita que mesmo que perca algumas vezes, no final sairá lucrando muito.

O jogo não sai de sua cabeça e ele passa a ir jogar sozinho.

Depois de ganhar uma grande quantia de dinheiro, o valor da aposta aumenta consideravelmente, na esperança de ganhos ainda maiores.

A perda passa a ser difícil de ser tolerada. A idéia de que ao final lucrará ainda persite.

O dinheiro que ganhou no jogo é utilizado para jogar mais, em seguida, o indivíduo emprega o salário, economias e dinheiro investidos;

6 – E a fase do desespero?

A fase do desespero é caracterizada pelo aumento de tempo e dinheiro gastos com o jogo e pelo afastamento da família.

Um estado de pânico surge, uma vez que o jogador percebe o tamanho de sua dívida, seu desejo de pagá-la prontamente, o isolamento de familiares e amigos, a reputação negativa que passou a ter na sua comunidade e, finalmente, um desejo nostálgico de recuperar os primeiros dias de vitória.

A percepção desses fatores pressiona o jogador e o comportamento de jogar aumenta ainda mais, na esperança de ganhar uma quantia que possa resolver todos esses problemas.

Alguns passam então a utilizar recursos ilegais para obter dinheiro.
Essa fase, é comum a exaustão física e psicológica, sendo freqüente a depressão e pensamentos suicidas.

7 – Esses jogadores geralmente procuram ajuda?

Em geral, não. Apesar das graves conseqüências que o jogo patológico pode vir a provocar, os jogadores têm muita dificuldade em admitir o problema e pedir ajuda, e a aderência ao tratamento costuma ser baixa, procurando tratamento principalmente quando a situação se agrava, o que torna as tarefas de prevenção e diagnóstico precoce imperativas.

E para agravar ainda mais a situação, esse quadro ainda é desconhecido pela população, que identifica o jogador como um “mau caráter” e desconhece a existência de tratamento apropriado. Algumas vezes isolando ou justificando que a pessoa merece descansar depois de tanto trabalhar; colaborando para o agravamento da doença.

8 – Como os profissionais reconhecem o jogador patológico?

Pela persistência e recorrência do comportamento de jogar, indicado pela presença de pelo menos cinco dos seguintes itens:

(1) Preocupação com jogo (preocupação com experiências passadas, especulação do resultado ou planejamento de novas apostas, pensamento de como conseguir dinheiro para jogar);
(2) Necessidade de aumentar o tamanho das apostas para alcançar a excitação desejada;
(3) Esforço repetido e sem sucesso de controlar, diminuir ou parar de jogar;
(4) Inquietude ou irritabilidade quando diminui ou pára de jogar;
(5) Jogo como forma de escapar de problemas ou para aliviar estado disfórico (sentimento de desamparo culpa, ansiedade, depressão);
(6) Depois da perda de dinheiro no jogo, retorna freqüentemente no dia seguinte para recuperar o dinheiro perdido;
(7) Mentir para familiares, terapeuta ou outros, a fim de esconder a extensão do envolvimento com jogo;
(8) Cometer atos ilegais como falsificação, fraude, roubo ou desfalque para financiar o jogo;
(9) Ameaçar ou perder relacionamentos significativos, oportunidades de trabalho, educação ou carreira por causa do jogo;
(10) Contar com outros para prover dinheiro, no intuito de aliviar a situação financeira desesperadora por causa do jogo.

9 – São muitos os jogadores patológicos no Brasil?

Estatísticas em outros países mostram que há uma prevalência de Jogo Patológico estimada entre 1 e 4% da população geral (EUA e Canadá). No Brasil ainda não existem dados seguros sobre a situação, mas, devido à popularidade crescente dos jogos computadorizados e das casas de bingo, alguns indicativos já podem ser preocupantes.
Para se ter uma idéia, em 1998 o bingo era o jogo de preferência em 65% dos jogadores ou jogadoras compulsivas e, em 2001, essa preferência saltou para cerca de 90% (Maria Paula Magalhães Tavares de Oliveira), deixando as loterias, vídeo-pôquer, turfe e caça-níqueis em segundo plano na preferência dos jogadores.
Talvez a preferência pelo bingo tenha uma conotação cultural, ou seja, reforçada por haver maior aceitabilidade social do bingo em relação à outros jogos, tendo em vista a forma amadora, recreacional ou como atividade beneficente.

Pesquisa realizada em local de jogo em São Paulo e entre jogadores que procuraram tratamento observou que, apesar de ser crescente o número de mulheres que jogam, a maioria dos jogadores é do sexo masculino, tem cerca de 40 anos de idade, casada, trabalha e tem grau de escolaridade elevado.

Os jogadores costumam apostar em mais de um tipo de jogo de azar, apesar de normalmente praticarem mais assiduamente apenas um jogo específico.
Bingo, jogos eletrônicos (vídeo bingo, videopoker e caça-níqueis) e carteado são os mais referidos como atividades que trazem prejuízos.

10 – Essas pessoas apresentam outras doenças?
Jogo patológico vem freqüentemente associado por outros transtornos psiquiátricos, sendo os mais comuns o transtorno de humor, de ansiedade, dependência de álcool e outras drogas.
Dessa forma, consulta um profissional é muito útil para esclarecer o diagnóstico e empregar tratamento apropriado.

11 – E qual é o tratamento adequado

Existem poucos estudos controlados sobre tratamento e diferentes abordagens são descritas na literatura.
Grupos de Jogadores Anônimos, freqüentes em outros países, já se encontram em algumas cidades brasileiras. Abordagens psicodinâmicas são relatadas na literatura, bem como intervenção familiar, terapia cognitiva, comportamental e farmacoterapia.
Abstinência não é necessariamente o objetivo do tratamento, mas sim o autocontrole.

O Ambulatório do Jogo Patológico do PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes) utiliza a psicoterapia de grupo com o propósito de auxiliar o jogador a sair do isolamento em que se encontra.

Psicoterapia individual é indicada para jogadores mais mobilizados, e orientação familiar é uma ferramenta importante.
Apesar de não existirem estudos controlados, alguns trabalhos indicam a utilização de antidepressivos como forma auxiliar na contenção do impulso de ir jogar.


Nota: Estes dados teve como referência o artigo da Psicóloga Maria Paula Magalhães Tavares de Oliveira Psicóloga da UNIFESP.

FOBIA SOCIAL.


Veja aqui onze bons motivos para enfrentá-la.

Depoimento
Assunto: Dificuldade enorme em fazer amigos:

“Sou tímido em demasia desde minha infância.
Hoje tenho trinta anos de idade mas meus relacionamentos não são normais.Tenho uma dificuldade enorme em fazer amigos e, mais ainda, em conseguir uma namorada. De um ano para cá foi que "despertei" para essa realidade e comecei a sentir a necessidade de me aproximar das pessoas. Mas as dificuldades são grandes e não raro, me vejo em estado de depressão ou caminhando para esse estado.” O que é ?

1- O que é fobia social?

Ansiedade social todos nós temos. É normal sentir

certo grau de preocupação com a imagem e ao falar com uma autoridade ou com uma pessoa que não conhecemos, mas a maioria consegue lidar com essa sensação de desconforto.

R- Algumas pessoas, porém, a evitam de modo tão intenso que comprometem a qualidade de vida.

Esse tipo de esquiva fóbica é o que chamamos de fobia social.

A sociedade:

2- Viver em sociedade foi e é fundamental para a sobrevivência das pessoas.O que justifica esse transtorno de comportamento?

R- Pacientes com fobia social têm sensibilidade mais aguçada para se sentirem humilhados ou rejeitados em contextos interpessoais, ou seja, em contextos que incluam pessoas desconhecidas, pouco íntimas ou muito críticas, do sexo oposto, ou autoridades.

Por trás disso, existe o medo excessivo de ficarem embaraçados ou humilhados na frente dos outros. Essa é a essência da fobia social.

A ansiedade é diferente da Fobia Social.

3 – E o que acontece quando precisamos falar em público e vemos as pessoas olhando para nós?

R- O que acontece é uma ansiedade de desempenho e aparece de modo geral na pessoas, mesmo nos atores;a diferença é que nos fóbicos sociais ela aparece de forma intensa.

Em casos mais leves de fobia social, os pacientes são tomados por ansiedade excessiva quando desempenham tarefas na frente dos outros, como:

- comer num restaurante,
- assinar um cheque ou outro documento qualquer,
- participar de uma dinâmica de grupo,
- de um seminário na faculdade,
- de uma entrevista de emprego e, principalmente,
- falar em público.

À medida que esse transtorno evolui, passa para um tipo que chamamos de generalizado e, além das situações de desempenho, a pessoa evita as que favorecem o contato interpessoal, como:

- ir a festas,
- ser apresentada a estranhos,
- iniciar uma paquera
- e nas quais é indispensável perceber como está sendo sua aceitação pelo outro a fim de nortear a pauta para seu comportamento.

A grande diferença entre a fobia social e as outras fobias é que o maior temor do paciente fóbico social não é de todo ilógico.

Ele teme ser avaliado e de fato está sob avaliação num número enorme de situações. Na verdade, todos nós estamos sendo avaliados o tempo todo, mesmo que esta avaliação não resulte em desaprovação ou rejeição.

Os sintomas físicos associados incluem:

- tremores,
- palpitações cardíacas,
- sensação de desmaio,
- rubor e sudorese,
- problemas digestivos,


Dificuldades nas crianças:

4- Algumas crianças têm muita dificuldade de relacionamento com pessoas estranhas. Você chega perto, ela corre e agarra-se na mãe.

As fobias sociais começam a instalar-se na infância ou surgem na vida adulta?

R- Muitos pacientes relatam, se não o início da fobia social, pelo menos uma certa evitação das situações sociais na infância.


Eram crianças que se escondiam atrás da mãe quando chegava um amigo da família em casa.


Diferentes daquelas que têm essa reação no começo, mas dali a pouco estão sentadas no com a visita, chamando-a de tia ou tio, querendo saber o que faz e onde mora, uma vez que não têm inibição comportamental perante adultos, as que se retraem correm maior risco de desenvolver o problema mais tarde.


O que fazer?

5 – O que se pode fazer nesses casos de timidez excessiva?

R- O que mais se tem discutido hoje é como intervir precocemente, porque a fobia social está ligada a uma série de complicações:

Fobia social aumenta o risco de abuso de álcool e de outras drogas até porque a pessoa não consegue lidar muito bem com a pressão exercida por seus pares e acaba virando maria-vai-com-as-outras.

Aumenta, também, o risco para depressão e problemas de ansiedade na vida adulta.

Manifestação nos adolescentes:
6 – Na adolescência, especialmente, somos muito mais sensíveis à pressão do grupo.
Adolescentes se vestem mais ou menos do mesmo jeito, usam corte de cabelo parecido e têm comportamento semelhante.
Qualquer diferença é entendida como oposição e o jovem é rejeitado pelo grupo.

Como isso se reflete na fobia social?
R- A inibição comportamental começa na infância, mas a maioria dos pacientes relata que os problemas surgiram na adolescência.













Uma coisa importante, nem sempre valorizada pelos pais e pela escola, e que protege a criança contra o desenvolvimento da fobia social, é a oportunidade de aceitação num grupo em que consiga destacar-se de alguma forma.

EX: Se o filho não tem jeito para futebol e insiste em fazer teatro ou tocar piano, não adianta o pai opor-se.

Inscrever o garoto numa escola de esporte, e obrigá-lo a praticar uma atividade em que vai ser o pior e na qual nunca irá destacar-se é contraproducente.

A falta de vivência de aceitação (sentir-se aceito) é fator de risco para a fobia social, que pode não ser um distúrbio apenas geneticamente determinado, mas sofre forte influência do meio para instalar-se.

Pais e filhos:

7– Como os pais podem reconhecer a fobia social nos seus filhos?

R – Se quiserem, basta olhar para perceber. É a criança que:


- não quer ir a festas,

- que se recusa a ter interação com outras crianças da mesma idade,

- ou se queixa de dor de barriga na hora da aula.


No caso desta criança; diante da recusa em ir para a escola, os pais devem tomar a iniciativa de falar com os professores para verificar se alguma coisa não está indo bem com a criança.


Às vezes, a mudá-la de classe é suficiente. Se não for, a mudança de escola pode propiciar-lhe outra chance de interação.


Como se fosse um reset de computador, lhe será oferecida a oportunidade de começar de novo em outro ambiente.

Entretanto, se os pais perceberem que faltam habilidades sociais a essa criança, vale a pena investir num tratamento para desenvolvê-las e treiná-las.


Bons motivos para enfrentar a fobia social:

1. Não perder oportunidades para quem é extrovertido.
2. Falar em público em apresentações de vendas, palestras,aulas e reuniões.
3. Saber expor com clareza suas idéias.
4. Controlar a ansiedade e as tensões.
5. Melhorar o relacionamento afetivo, profissional e pessoal.
6. Participar ativamente de eventos sociais, conversas e reuniões.
7. Evidenciar uma personalidade positiva e cativante.
8. Começar a gostar mais de si mesmo, mudando o conceito que as pessoas possuírem a seu respeito.
9. Aprender a ser mais assertivo, isto é, falar a coisa certa, no momento certo, na dose certa.
10. Ganhar autoconfiança para abordagem pessoal.
11. Qualificar-se para cargos de liderança.


Referência: material selecionado e adaptado por Arnaldo Vicente, Especialista em Terapia Cognitiva, da lista: fobiassociais@yahoogrupos.com.br.

FINAL DO ANO É HORA DO BALANÇO.


Chegou o fim de ano e é hora de avaliar quais propostas feitas no início de ano você ...
Chegou o fim de ano e é hora de avaliar quais propostas feitas no início de ano você conseguiu realizar. O que você sonhou no começo do ano e já conseguiu realizar?


1- É importante fazer um balanço ao final de cada ano?

Sim, é importante ter uma visão clara do que foi desejado e conquistado durante o ano.

É uma forma de reconhecer o quanto investimos em nossa vida, o quanto nos esforçamos para atender as nossas expectativas e realizar os nossos sonhos.

2- Este balanço é positivo quando a pessoa realiza os seus objetivos, suas metas. E ao perceber isto a pessoa aumenta a sua auto-estima?

Sim, ao alcançar as suas metas a pessoa confirma a idéia de que é uma pessoa capaz e segura e isto faz com que ela goste mais de si mesma.

3- Isto melhora a sua relação com as pessoas?

Também melhora porque a pessoa que gosta mais de si mesma se sente mais à vontade para se relacionar com as outras pessoas, de modo colaborativo e ético.

4- A pessoa é mais feliz?

Com certeza, pois ela é mais esperançosa quanto aos riscos e incertezas do futuro.


5- Então a pessoa que não realiza as suas metas é infeliz?

Só a pessoa pessimista. Aquela que quando as coisas não dão certo acredita que então não dará certo nunca mais em situação nenhuma.

Ela acredita que as coisas não deram certo por conta de sua total incapacidade.

6- É um jeito errado de pensar porque ela está fazendo uma previsão sobre o futuro. Como ela deveria pensar ao ver que o seu balanço foi negativo?

Deveria pensar de acordo com a realidade, investigando se de fato não alcançou as suas metas totalmente.

Às vezes a meta é mais difícil do que ela pensou e precise de mais tempo para ser cumprida. Ela pode ter sido cumprida parcialmente e poderá ser concluída no próximo ano.

Outras vezes a meta não foi concluída porque não dependia só dela.

7- A pessoa deve perceber se realmente falhou, onde falhou e quanto falhou?

Exato, isto permite que ela entenda que não é incapaz em tudo e que não há nada que prove que ela sempre será incapaz.

8- Desta forma ela não ficará infeliz a ponto de ficar deprimida?

Não ficará deprimida nem desesperada, pois sua esperança não terá ido embora.

9- E a pessoa que no começo do ano não colocou metas para cumprir como pode fazer um balanço de seu ano?

Ela deve lembrar quais eram suas dificuldades no começo do ano e avaliar como essas dificuldades estão agora.

Caso estas dificuldades tenham sido resolvidas ela deve avaliar se está satisfeita com a solução atual. Caso esteja satisfeita então poderá considerar que a meta foi cumprida.

Caso não fique satisfeita com o modo como as dificuldades foram resolvidas ela pode complementar a solução ou planejar uma nova meta.

10- E se a pessoa quiser planejar outra meta como ela deve fazer?

- É fundamental saber que dificuldade ela quer resolver.

- É importante ter clareza sobre como ela gostaria que essa dificuldade ficasse ao ser resolvida aumentando sua satisfação quando alcançar a sua meta.

- Defina as submetas para alcançar sua meta, considerando a possibilidade de conquistar metas menores ao longo do caminho para as suas grandes realizações.

- Certifique-se de que sua meta esteja formulada de uma forma que você mesmo possa alcançá-la, independente dos outros.

- Desenvolva evidências para saber se você está alcançando sua meta.
- Confira a sua própria meta para saber quando se sentirá feliz por tê-la terminado.

DROGAS NA ADOLESCÊNCIA


Fala-se muito do que ele não deve ser e quase nada do que pode ser. Em geral, os adultos ficam mais confusos quando precisam lidar com os adolescentes e colaboram para que seus conflitos aumentem ou se perpetuem.
________________________________________

A adolescência pode ser considerada uma fase de ouro, pelos cuidados que suscita. Do adolescente espera-se que não seja criança e se ele insistir será visto como inadequado, imaturo e não confiável; mas não será diferente se ele insistir em ter atitudes de adulto antes da hora. São nestes momentos que eles ficam mais vulneráveis as drogas.
Rádio Mulher, tema; DROGAS NA ADOLESCÊNCIA


Muitas perguntas, muitas respostas.

1- Porque as pessoas consomem drogas mesmo sabendo que fazem mal a elas?

A humanidade sempre procurou por substâncias que produzissem algum tipo de alteração em seu humor, em suas percepções, em suas sensações.

Não é possível determinar um único porquê. Os motivos que levam algumas pessoas a se utilizarem de drogas variam muito. Cada pessoa tem necessidades, impulsos ou objetivos que as fazem agir de uma forma ou de outra e a fazer escolhas diferentes.

Então, se queremos entender e combater o uso indevido de drogas, precisamos saber que não é possível generalizar os motivos que levam uma pessoa a usar drogas. Cada usuário/a tem os seus próprios motivos, mas, mesmo que a gente saiba quais são estes motivos, ainda é preciso analisar outros fatores: a droga em si, seus efeitos, prazeres e riscos; a pessoa com sua história de vida, suas experiências, condições de vida, seus relacionamentos e aprendizados; o contexto sociocultural, ou seja, o lugar em que a pessoa vive com suas regras, seus costumes, se ela tem ou não contato com essas substâncias e o que acha sobre isso.

2- De todas as razões para o jovem usar as drogas, qual sintetiza mais esta opção?

Já lemos e ouvimos inúmeras razões para o uso, mas os motivos reside em não estar bem com ele mesmo. O jovem que não está bem consigo mesmo encontra uma atração irresistível pelos efeitos das drogas, ele fica vulnerável. A droga tem o poder de transformar as emoções e modificar e ocultar os verdadeiros sentimentos. O jovem pode ter uma auto-imagem muito depreciativa e compensar com lances de superioridade, ou fortes sentimentos de solidão, inadequação e baixa auto-estima e falta de confiança e não saber lidar com estas emoções. Os jovens precisam aprender a conhecer suas emoções e a lidar com suas dificuldades e problemas. Cabe aos pais adquirirem a sensibilidade para transmitir a segurança e o afeto de que os filhos necessitam, mas, se mesmo assim, os filhos permanecerem vulneráveis, possam ter o discernimento para buscarem ajuda especializada para lidarem com o complicado e pantanoso mundo interno de cada um. Os pais precisam ouvir mais e falar menos, não desistir nunca de conversar, mesmo que esta conversa sempre se torne tensa e cheia de conflitos, mesmo assim ainda é uma via de comunicação essencial.

3- O que leva as pessoas a se drogarem?


Algumas pessoas acham que é o desconforto consigo mesmas e a falta de apoio e carinho da família. Já outras responderam que é pela curiosidade de saber quais são as sensações que a droga pode trazer ou há ainda quem acredite que as pessoas se drogam por problemas da vida como: a solidão, amizades ruins, depressão, raiva e desprezo.

4- Quem se encontra em situação de risco ao uso de drogas?

"Todos os adolescentes". O fumo, o álcool e as drogas estão disponíveis, e a maioria dos jovens são objeto de pressão para o início de seu uso. Sem dúvida, alguns adolescentes estão em maior risco do que outros. Os três fatores mais importantes são a história familiar, o uso por parte dos pais e certas características individuais.

A história familiar de alcoolismo indicaria uma predisposição genética, teoria sustentada em estudos de filhos adotivos. Não só é fator de risco o uso por parte dos pais, mas a atitude, a educação e as medidas disciplinares inconsistentes com relação ao uso de substâncias aos seus filhos.

Quando uma família está socialmente isolada é maior o perigo de uso de substâncias e aumenta o índice de abuso físico e sexual ou de fuga do lar. Outros fatores familiares predisponentes são o estresse causado por uma separação, divórcio, novas uniões conjugais, desemprego e doença ou morte de um dos pais.

Um dos mais poderosos fatores predisponentes ao uso de substâncias é a influência do grupo de iguais. Um adolescente cujos melhores amigos usam o fumo, o álcool e outras drogas será mais facilmente levado a experimentar do que aquele cujos amigos evitam as drogas e não estão de acordo com seu uso.

5- O contato dos adolescente com a droga é inevitável?

Isso depende do adolescente. Se ele quiser, poderá encontrar a droga em qualquer lugar, porque atualmente é fácil encontrá- la. Além disso, os pais não têm condições de controlar o tempo todo a vida dos filhos, e faz parte da adolescência o saudável distanciamento dos pais e a aproximação com outros adolescentes, para formar a turma.

Querendo ou não, os adolescentes vão ouvir falar das drogas, seja oficialmente, nas escolas, nas campanhas de prevenção, etc, seja extra- oficialmente, pelos colegas (usuários ou não), numa mensagem bem diferente das oficiais. Um usuário geralmente apregoa o que ele vê de bom na droga e convida os amigos (nunca um inimigo ou um desconhecido) a compartilhar da experiência; dificilmente visam a lucros da experiência; dificilmente visam a lucros econômicos. È assim que os jovens são aliciados pelo uso das drogas.

Um usuário reconhece rapidamente outro num mesmo ambiente, e geralmente não se expõe aos não- usuários, a não ser que eles se mostrem interessados em consumir a droga.

Quando um adolescente não quer experimentar drogas, não é comum um usuário forçá- lo. Portanto, é possível que os adolescentes evitem o contato com drogas.

6- Existem tipos de usuários/as de drogas. O que é isso?

É verdade, a UNESCO, um órgão ligado à ONU (Organização das Nações Unidas), que trabalha com educação e cultura, distingue quatro tipos de usuários de drogas:

experimentador - é aquele que experimenta alguma droga para saber como é que é o efeito, por que deseja ter novas experiências, porque o grupo pressiona, por conta da publicidade que se faz, etc. Na grande maioria dos casos, o contato com a substância não passa das primeiras experiências;

ocasional - é aquele que utiliza de uma ou outra droga, só de vez em quando. Nesse caso, não existe a dependência e a relação com as pessoas continua normalmente.

habitual - é quando se utiliza freqüentemente de drogas e em suas relações pessoais e profissionais já começam a aparecer problemas. Já está correndo riscos de ficar dependente e seria importante que já procurasse por algum tipo de ajuda.

dependente - é aquele que vive pela droga e para a droga, quase exclusivamente. Como seus vínculos com as pessoas já está muito ruim, passa a ser isolado e marginalizado.

7- Como saber se um jovem usa drogas?


1 - Mudança brusca no comportamento;
2 - Irritabilidade sem motivo aparente e explosões nervosas;
3 - Inquietação motora. O jovem se apresenta impaciente, inquieto, irritado, agressivo e violento;
4 - Depressões, estado de angústia sem motivo aparente;
5 - Queda do aproveitamento escolar ou desistência dos estudos;
6 - Insônia rebelde;
7 - Isolamento. O jovem se recusa a sair de seu quarto, evitando contato com amigos e familiares;
8 - Mudança de hábitos. O jovem passa a dormir de dia e ficar acordado à noite. Existência de comprimidos, seringas, cigarros estranhos, entre seus pertences;
9 - Desaparecimento de objetos de valor, de dinheiro ou, ainda, incessantes pedidos de dinheiro. O jovem precisa, a cada dia mais, a fim de atender às exigências e exploração de traficantes, para aquisição de produtos que lhe determinaram a dependência;
10 - Más companhias. Os que iniciaram no vício passam a fazer parte da vida do jovem

8- Como a família deve reagir quando descobre que seu filho está usando drogas ilegais?


A primeira atitude é de calma, sem desespero, conversar, melhorar a comunicação com o jovem, procurar ajuda espiritual, ler, buscar ajuda e o mais importante realizar uma revisão geral nas relações, procurar conversar sobre os sentimentos verdadeiros, trabalhar as diferenças e os conflitos com equilíbrio. Verificar o grau de comprometimento do jovem, ele pode estar no início, usar ainda recreativamente. Tenho visto excelentes resultados com terapia familiar, todos os membros da família fazem parte do problema e da solução, muitas vezes o usuário é o bode expiatório da família, ou ele carrega a culpa e a depressão de todos. Todos precisam de ajuda e de se reverem. Os pais precisam compreender que apenas uma minoria transforma-se em dependente químico, principalmente aqueles que possuem pais dependentes de drogas, ou dificuldades pessoais ou familiares, neste caso a família está tão desestruturada que pouco pode atuar para um processo de ajuda. Quanto mais neutra e apagada for a relação do jovem com os pais, mais a droga vai completar sua personalidade.

9- Como a família do dependente pode ajudar?

A família pode ajudar complementando dados que o(a) paciente dá ao médico, socorrendo o(a) familiar nos momentos mais difíceis, ajudando-o(a) no cumprimento do contrato terapêutico, lembrando-o(a) de tomar sua medicação (caso use) ou envolvendo-se em grupos de orientação contra as drogas na comunidade.

10- Quais são as razões para procurar tratamento?

As pessoas que procuram tratamento para dependência, em geral, são aquelas que apresentam uma série de problemas pela droga, sendo muitas vezes trazidas pela família e não admitindo o problema que têm com a droga. Esses indivíduos, com certeza, precisam de tratamento.

11- Por que tratar a dependência ?

O indivíduo dependente, acaba por sofrer problemas em praticamente todas as esferas de sua vida, afasta-se dos amigos e da família, sofre os problemas decorrentes do uso da droga. Pode ter problemas legais (por exemplo: prisão por roubo ou por porte de drogas), não consegue manter seu emprego.

Além disso, é comprovado em alguns estudos que indivíduos dependentes que procuram tratamento têm ao longo do tempo menos complicações do que aqueles que não procuram. Essas são razões suficientemente fortes para que se justifique o tratamento de dependentes de drogas (geral).

12- O que é tratamento?

O tratamento da dependência de drogas é o conjunto de medidas tomadas pelo médico e por sua equipe, no sentido de ajudar o dependente a ficar e a se manter abstinente da droga, o tratamento depende da motivação do indivíduo para se tratar, da colaboração da família e da equipe que vai atendê-lo(a).

13- Quando o dependente precisa ser internado para tratamento?

Na maior parte das vezes, o tratamento do dependente de drogas não requer internação. A internação sem necessidade pode ser uma abordagem desastrosa, causando revolta e efeitos contrários ao esperado. O especialista tem que estabelecer um critério claro e definido e o usuário estar convencido da necessidade da ajuda. Existem diferentes modelos de tratamento, porém os efeitos positivos dependem da capacitação técnica dos profissionais envolvidos e do tratamento espiritual efetuado concomitantemente.

14- Como controlar este problema?

Não há respostas certas e definitivas. Não há soluções. Temos que admitir que este problema não pode ser resolvido. Pode é ser gerido. A sua gestão depende de todos nós. Temos de nos responsabilizar, por nós e pelos outros. Pela nossa saúde e bem estar e pelo bem estar dos outros. Tal como pelo nosso meio. A sociedade e o meio que temos são, em grande parte, o que nós fazemos. Temos que nos preparar, que nos educar. Temos a responsabilidade comum de fazer o melhor possível, por nós e pelos que virão.

15- Existe algum tratamento com drogas (remédios) para acabar com o vício?

Sim. È o caso do tratamento para dependentes de heroína, feito em regime hospitalar. A fim de que o usuário não sofra a sindrome de abstinência, os médicos administram-lhe a metadona, que se encaixa bioquimicamente no organismo como se fosse heroína, "enganando-o". A metadona possui a grande vantagem de não produzir dependências física e psicológica.

Mas esse é um caso particular. Geralmente, não existem remédios específicos contra o mecanismo do vício. Cada droga requer um tratamento especial. E a psicoterapia é mais indicada que qualquer medicação.


Outras perguntas não abordadas no programa Rádio Mulher do dia 21 de dezembro de 2005:
Estou desconfiada que meu filho esteja usando alguma droga. Que exames laboratoriais eu poderia fazer para confirmar ou não isso. Já conversei com ele e nega que seja usuário, porém tenho motivos para duvidar.

Parabéns por tentar um diálogo com seu filho, que sem dúvida é sempre o melhor caminho. Apesar de você ainda não ter tido sucesso sugerimos que tente mais algumas vezes, pois esta forma de agir pode afastar ainda mais você do seu filho. Se a dúvida persistir procure um serviço especializado para conversar com algum profissional, receber orientações.

Negar a existência do problema é comum entre usuários de álcool e outras drogas. Diante da negação, é comum que familiares e amigos, com a melhor das intenções, comecem a fazer acusações e a enfrentá-lo, colocando-o contra a parede e fazendo ameaças. A experiência mostra que este comportamento reforça a resistência e as defensivas da pessoa. A pessoa só mudará se tiver motivos, suficientemente fortes para isso. A melhor maneira de agir é adotar uma atitude de empatia, é tentar compreender seus reais motivos, sem julgamento, preconceitos ou acusações. Ninguém gosta de estar errado. Acusações suscitam defesas. Quanto mais eu tentar provar que alguém está errado, com mais veemência ele se defenderá e argumentará que está certo, se convencendo ainda mais disso. Ao parar de se defender das acusações externas, o usuário tem maiores chances de enxergar sua realidade. Por isso é preciso escolher, dentre os relacionamentos do usuário a pessoa mais adequada para esse tipo de conversa que, em geral, é aquela com quem há uma relação de confiança, afeto e respeito.

Com relação aos testes que detectam drogas no organismo, os mais comuns são os de urina e de sangue, porém, aqui no Brasil estes testes não são disponibilizados para compras em locais como, por exemplo, farmácias. Estes testes só podem ser realizados através de solicitação médica, em laboratórios de análises clínicas e com o consentimento da pessoa.

Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein
Como orientar os pacientes sobre o consumo de álcool?


Pesquisas demonstrando efeitos benéficos à saúde do consumo de bebidas alcoólicas em quantidades moderadas não são exatamente uma novidade. Geralmente, esses benefícios são relacionados a bebidas fermentadas, com mais baixo teor alcoólico e diversas outras substâncias além do álcool, potencialmente benéficas e que não são encontradas nas bebidas destiladas, que concentram mais álcool e são mais "pobres" em outras substâncias.

Muitas pessoas consomem álcool sem maiores problemas, mas não devemos esquecer do potencial do álcool como gerador de doenças e incapacidade. Não existe consumo isento de risco, mas pode se falar em consumo de baixo risco. Mesmo a questão do que seria beber moderado envolve alguma controvérsia.

Assim, profissionais de saúde devem considerar alguns pontos ao discutir álcool com seus pacientes (algo que deveriam fazer mais freqüentemente):

Não encorajar quem não bebe nada a começar a beber;

Para quem já bebe, fermentados são geralmente mais seguros que destilados, mas deve se considerar a dose total;

Beber num ritmo tal que o álcool possa ser adequadamente metabolizado (não mais que 1 dose por hora), intercalando bebidas alcoólicas com não alcoólicas;

Consumo de baixo risco: HOMENS = não mais que 14 doses por semana, não mais que 4 por ocasião; MULHERES = não mais que 7 doses por semana, não mais que 3 numa única ocasião.
NÃO EXISTE CONSUMO ISENTO DE RISCO (ex. uma dose antes de dirigir sempre é risco)

Algumas pessoas e situações exigem ainda mais cuidados com relação ao consumo de álcool: mulheres grávidas (ou planejando engravidar), pessoas com mais de 65 anos, uso de medicamentos que interajam com o álcool e algumas condições de saúde.

Indivíduos com histórico de abuso ou dependência de álcool devem evitar o álcool. É mais comum do que se imagina (cerca de 10% da população geral: 17% dos homens e 6% das mulheres, mas vem aumentando nesse grupo).

Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein
Como os pais podem ter uma atitude de prevenção às drogas mais adequada?


Primeiro ponto é ser coerente, o que ele faz é mais importante do que o que diz. Cortar de vez o dito popular: "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço."

As crianças aprendem pelo exemplo e imitação, percebem quando os adultos recorrem aos tranqüilizantes ao menor sinal de tensão, ou que estão comendo exageradamente por compulsão, ou fazem compras sem necessidade ou trabalham excessivamente... Todos esses comportamentos são dependentes e compulsivos e precisam ser repensados urgentemente pelos pais, antes que os jovens os assimilem e estabeleçam a mesma relação com as drogas.
A maconha causa dependência física e psicológica? como detectar essa dependência?

Física não. Psicológica sim. Basicamente pelas alterações do comportamento, dependendo da idade da pessoa (baixa de rendimento escolar, desinteresse por esportes, lazer, mudança de amizades, apatia, falta de impulso vital, etc.)
Meu namorado usa drogas. Como lidar com a situação?


Nem sempre quem a gente namora faz aquilo de quem gosta ou em que acredita. È comum em uma relação que as pessoas tenham pontos de vista distintos. Com relação ás drogas, isso funciona da mesma maneira. Seu namorado as está usando e você não aprova seu comportamento. Não adianta fingir que nada está acontecendo. Uma conversa aberta para você pode se posicionar nessa história é muito importante. Precisa saber se ele quer ajuda, se ele sabe os riscos que está concorrendo e qual o padrão de consumo.Em casos mais extremos, você pode ter de buscar o apoio de um especialista (terapeuta).
Lança Perfume, traz problemas?


Sim! Recentemente uma estudante morreu no Nordeste, na porta de uma boate, depois de, aparentemente, ter inalado um lança-perfume. Dependendo da substância, da concentração, da quantidade de droga consumida e da sensibilidade da pessoa, o risco pode ser mais elevado. Os inalantes passam rapidamente do pulmão para a circulação, o que pode provocar um efeito rápido no cérebro e no coração. Convulsões e paradas cardíacas podem ocorrer. Embora a maior parte das pessoas não sofra maiores problemas quando experimenta "lança", algumas correm risco. E é sempre muito difícil prever o que vai acontecer. Como o "lança" é hoje ilegal no Brasil, fica muito difícil saber que tipo de substância existe em cada frasco.


O que fazer quando alguém passa muito mal por causa de droga?


Os amigos não devem perder tempo e precisam levar a pessoa a um hospital o mais rápido possível. Só assim estarão garantidas as condições adequadas para enfrentar problemas sérios, como convulsões, parada respiratória, infarto, etc. Muitas vezes, o que se vê é que os amigos ficam com medo de procurar o hospital porque a pessoa usou uma droga ílicita. Fique sabendo que o médico está preocupado apenas em garantir a saúde da pessoa.

Fumar um "baseado", de vez em quando, faz mal?


Muita gente, logo depois que fuma um único "baseado", apresenta uma crise de ansiedade muito forte, mal-estar intenso com sensação de morte iminente ou até a imprensão de estar sendo perseguida (sintomas psicóticos). Outras pessoas que começam fumando de vez em quando aumentam a frequencia do uso da substância sem se dar conta, porque sentem falta das sensações que a maconha produz.

Maconha abre a porta para o mundo das drogas?

A maconha não pode ser considerada a porta de entrada para outras drogas, pois o primeiro contato com as drogas, em geral, é o álcool e o tabaco. Quem fuma ou bebe está mais propenso a consumir maconha, mas isso não quer dizer que todo mundo que consome álcool e cigarro vai usar outra droga. Não há nada na composição da maconha que faça as pessoas buscarem drogas mais fortes e a maior parte das pessoas que fumam maconha não vai experimentar outras substâncias, no entanto, alguns especialistas alertam sobre a propabilidade de isso ocorrer por curiosidade ou para fugir das próprias dificuldades.
O que ocorre com os dependentes químicos sem cura?


A droga pode ser a causa direta de sua morte, pela overdose, ou indireta, pelas complicações secundárias, como problemas cardiovasculares, respiratórios, cerebrais (neurológicos), hepáticos, pancreáticos, intestinais, renais, infecções generalizadas, etc.

Os dependentes químicos podem também morrer por acidentes provocados pela alteração do estado de conciência (principalmente acidentes de carro), o que acontece mais com usuários de álcool e maconha. Podem ainda ser assassinados pelos traficantes por causa de dívidas; e se, além de dependentes químicos, são também traficantes, podem morrer por rivalidade entre gangues que disputam um mesmo território de ação, sobretudo quando se trata de cocaína e crack.

Ninguém morre de overdose de maconha, que, entretando pode levar a um tipo de vida quase vegetativo em razão do forte comprometimento da capacidade de trabalho ou das atividades em geral, que ficam reduzidas a comer, "canabizar" e dormir. Essa é a síndrome amotivacional provocada pela maconha.

Em relação ao tabaco, quanto maior for o consumo,maior a probalidade de adquirir um câncer de pulmão. Isso também acontece com a maconha, que é dez vezes mais cancerígena que o tabaco. Fumar cigarros é a maior causa conhecida de morte por câncer.
A ansiedade e a agressividade são causas ou conseqüências do uso das drogas?


Raramente alguém usa drogas para controlar a própria agressividade; os que estão á volta de uma pessoa agressiva é que sentem essa agressividade. Como o agressivo tem pavio curto, ele sente, por qualquer motivo, crescer dentro de si uma raiva muito grande, que lhe provoca sensação física de taquicardia, pressão alta, extremidades frias, palidez ou rubor facial, transpiração. Parece, então, que vai explodir; não consegue pensar e acaba descarregando todas essas sensações em quem estiver mais perto. Por essa razão, são levados por seus responsáveis ou conviventes para ser tratados por psicoterapeutas. E um psiquiatra pode, desse modo, receitar tranqüilizantes ou outra medicação, de acordo com o diagnóstico. Calmantes, receitados por especialistas e ingeridos conforme orientação e controle médicos para tais casos, raramente viciam.

A ansiedade, por sua vez, prejudica muito mais a pessoa que a sente do que os outros; é uma sensação desagradável que incomoda em qualquer lugar, horário e circustância. È uma agitação no sangue que pertuba todo o corpo, como se ele estivesse vivendo com muita pressa, sem paciência, sempre insatisfeito. Não suportando a si mesmo, o ansioso quer se ver livre de sua ansiedade de alguma maneira e acaba usando drogas.

As drogas que possivelmente provocam agressividade ou ansiedade são:
-álcool: se bebido numa quantidade que faz a pessoa perder o controle emocional, pode gerar agressividade.
-cocaína: quando um dos efeitos não desejados pelo usuário é uma agitação psicomotora, ele pode apresentar intensa ansiedade e agressividade.
-maconha: quando o cabanizado for solicitado ou provocado, pode reagir com grande agressividade.
-cola de sapateiro, benzina, solventes e inalantes: em níveis de embriaguez, podem gerar bastante agressividade.
-anfetaminas: provocam agitação psicomotora, impulsividade, irritabilidade e agressividade.

Por que é proibido o uso de drogas se a pessoa se vicia porque quer?

Raramente alguém se vicia porque quer. A pessoa experimenta porque que e, quando experimenta, jamais deseja ou pensa em se tornar um dependente químico. A não ser que esteja querendo morrer, deixando- se matar pela droga, o vício é uma consequência indesejada.
As drogas afetam nosso físico?


Sim, de modo transitório, intermediário e definitivo. Quando o usuário está sob os efeitos de uma droga, seu físico fica comprometido. Por exemplo, a maconha, durante a intoxicação aguda, que dura de duas a quatro horas, provoca alterações físicas transitórias, como moleza no corpo, cansaço, funcionamento vagoroso do cérebro (a pessoa esquece as coisas, fica desatenta, etc). Há os prejuízos definitivos, ou seja, mesmo que a pessoa interrompa o uso, uma vez que eles estão estabelecidos, são irreversíveis, como: o câncer de pulmão nos canabistas ou os depósitos de tetraidrocanabinol (THC) no cérebro.

Existem muitos outros efeitos físicos provocados por diferentes drogas. Os mais graves são: emagrecimento, convulsão, parada cardíaca, overdose e morte ( provocados por cocaína); dependência física, síndrome de abstinência e morte (causados por morfina, heroína e ópio); destruição de células nervosas e embriaguez (provocados por éter, lança- perfume, cola de sapateiro e inalantes em geral).

Os alucinógenos provocam psicoses transitórias, intermediárias, que precisam ser tratadas com medicações psiquiátricas, e definitivas, que desecadeiam uma psicose esqui
zofrênica que já estava latente na pessoa. Mesmo que bem tratada psiquiatricamente, a psicose deixa seqüelas definitivas na personalidade. Se não tivesse sido desencadeada pelos alucinógenos, poderia continuar latente para o resto da vida.
Qual é a droga mais pesada?


È bastante relativo o conceito de droga pesada, porque isso depende de muitas variáveis. Por exemplo: existem pessoas mais sensíveis a drogas que outras. Algumas são tão suscetíveis que quaisquer drogas, mesmo as que têm baixo poder viciante, levam ao vício.

Às vezes, os dependentes químicos consideram natural o uso de qualquer droga e mesmo as drogas pesadas passam a ser encaradas por elas como leves.

Para outros indivíduos, porém, o cuidado com a saúde e o pavor pelas drogas é tão grande que qualquer droga é considerada pesada.

Apesar de todas as variáveis pessoais, poder viciante, fator viciável, medo, naturalidade, etc; se num grupo de 100 pessoas fossem distribuídos crack, cocaína, maconha e bebidas alcoólicas, verificariamos que mais de 90% ficariam viciadas em crack, 80% em cocaína, 50% em maconha e menos de 50% em bebidas alcóolicas. Portanto, podemos dizer que, de acordo com o poder viciante de cada uma dessas drogas, o crack e a cocaína são muito mais pesados que a maconha e as bebidas alcoólicas. (Desconheço estudos que apresentem o poder viciante quantificado dos inalantes, como cola de sapateiro, benzina, lança - perfume, etc.)

Quanto ao risco de morrer de overdose, as drogas mais pesadas são efetivamente a heroína, o crack e a cocaína, que também provocam a incapacitação social com apenas poucos meses de uso. O alcoól, porém, depois de ser ingerido durante anos, é a droga que mais incapacita as pessoas socialmente. Enfim, qualquer droga oferece riscos, pois as reações bioquímicas provocadas por elas variam de organismo para organismo e não dependem do controle mental nem da vontade de cada um.
O que é e como funciona a overdose?


Overdose é a quantidade de droga acima daquela que o corpo suporta. Quando alguém diz que fulano morreu de overdose de cocaína que dizer que tal pessoa usou cocaína em quantidade superior áquela que seu corpo poderia suportar e acabou morrendo.

O organismo humano tem um limite em sua capacidade de metabolização (eliminação) da droga ingerida, que geralmente é feita pelo fígado. A metabolização é a maneira pela qual a droga é decomposta, resultando em outros compostos mais simples que são menos tóxicos que a droga. Quando sua velocidade for emnos que a da ingestão (aquisição) da droga, esta vai - se acumulando no organismo, chegando a níveis que provocam parada cardíaca ou parada respiratória ou depressão geral do sistema nervoso central e, conseqüentemente, a morte.

A quantidade de cocaína suficiente para provocar overdose, seguida de parada cardíaca, é apenas 1,2g. Entretando, os dependentes químicos chegam a usar gramas por dia e não morrem por causa da tolerância. Também quando o nível de ácool atinge de 0,4% a 0,5% no sangue, o equivalente a 600 ml de uísque bebido em uma hora ou menos, provoca o coma. Quando o nível atinge de 0,6% a 0,7%, que equivale a 750 ml de uísque bebido em uma hora ou menos, todo o cérebro e a medula entram em depressão profunda, provocando paralisia do centro respiratório e, consequentemente, a morte.
Alguns anos atrás, os jovens usavam mais ou menos drogas do que os de hoje?


As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por grandes movimentos libertários, como a emancipação da mulher e a liberação sexual. Foi a época dos gigantescos festivais de músicas, em que muitas pessoas, tanto fãs como ídolos, drogava - se, pois o uso das drogas também significava liberdade.

Assim, sob essa bandeira, vários jovens, cantores e artistas consagrados exibiam - se drogados, apesar de o uso das drogas ser ilegal, não aceito socialmente e ter causado a morte de muitas pessoas por overdose.

Havia também, é claro, uma maioria silenciosa que não usava drogas, contra uma minoria que as usava ostensivamente.

Hoje, entretanto, a droga naõ tem mais o significado daquelas décadas, e seu consumo continua ilegal e não aceito pela sociedade.

O número de usuários aumentou por vários motivos:
- os jovens estão começando a usar drogas cada vez mais cedo: álcool com 10 anos, cigarro com 11 anos e maconha com 12 anos;
- maior facilidade para conseguir drogas;
- maior propaganda legal, ou não, das drogas;
-maior variedade de drogas.
O que é a síndrome de abstinência?


Síndrome de Abstinência é um quadro de alterações físicas, ocasionadas pela falta da droga no organismo, estas alterações variam de acordo com o tipo de droga, com a freqüência do uso, com a quantidade utilizada e com o estado físico do usuário. Por exemplo, o alcoolista, quando privado do álcool, apresentará um quadro de síndrome com tremores e sudoreses, náuseas e vômitos, podendo chegar, em casos mais graves até a delirium tremuns, coma ou morte.
É verdade que o lança perfume foi legalizado e não é mais considerado droga?


Não temos informações de que o lança perfume fabricada na Argentina à base de cloreto de etila tenha sido liberado. O cloreto de etila é uma substância proscrita no Brasil pelo Ministério da Saúde. Há produtos clandestinos fabricados em casa com éter e cloroetileno, que são perigosos e podem provocar arritmia cardíaca e morte.
Qual seria o papel eficiente da escola na prevenção do uso de drogas?


Prevenir o uso de drogas é uma decisão política determinada por um projeto integrado, implica em falar de educação de filhos, de adolescência, de relação social e convivência afetiva.

Prevenir não significa tratar o tema com sensacionalismo ou com terrorismo, os efeitos poderão ser inversos do esperado,como o aguçamento do interesse, curiosidade e incentivo para condutas negativas.

Acreditamos que a escola seja um espaço para desenvolver atividades educativas, visando qualidade de vida e educação para a saúde. Portanto, ela tem a responsabilidade da prevenção primária e secundária.
Que tipos de ajuda terapêutica existem para os dependentes?


Existem diversos modelos de ajuda a dependentes de drogas: tratamento médico, terapias cognitivas e comportamentos, psicoterapias, grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos), comunidades terapêuticas, etc. Em princípio pode-se dizer que nenhum desses modelos de ajuda consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes, alguns podem se beneficiar mais de um determinado modelo outros necessitam de diferentes alternativas. É muito difundido o modelo que utiliza ex-dependentes de drogas como agentes terapêuticos já que uma pessoa que passou pelo mesmo problema pode ajudar o dependente a se identificar com ela e compreender melhor seus problemas. É importante observarmos que os efeitos positivos de uma abordagem dependem essencialmente da capacitação técnica dos profissionais envolvidos.

Os especialistas em dependência vêm realizando pesquisas nos últimos anos para determinar que tipos de dependentes se beneficiam mais de um ou de outro tipo de ajuda. Entretanto deve-se destacar que as abordagens medicopsicológicas (que associam ao mesmo tempo os recursos da medicina e da psicologia) têm se mostrado mais eficazes na maior parte dos casos.
Qual o papel da informação no trabalho de prevenção de droga?


A informação é apenas um aspecto da prevenção, não precisamos fazer um curso de farmacologia para entendermos profundamente os efeitos da droga no sistema nervoso e realizarmos prevenção. Um exemplo é o cigarro, mais do que a mídia informa, os pesquisadores descobrem e constatam, nada disso serve para prevenir. Hoje mais do que nunca, depois do movimento dos não-fumantes e da proibição para os fumantes, os jovens instigados pela transgressão voltaram ao cigarro pra valer, de 1991 para cá vemos aumentar o número de jovens fumantes.


Todas as drogas são iguais? Provocam os mesmos efeitos?

Não. Os efeitos das drogas vão depender da sua classificação:
depressoras (aquelas que deprimem áreas do sistema nervoso, provocando um relaxamento das suas atividades específicas) – provocam sensação de relaxamento, calma, sonolência, lentidão. Altera a percepção, o raciocínio e a memória.Ex bebidas alcoólicas, calmantes, codeína ( opiáceos ), barbitúricos e inalantes.

estimulantes ( as que estimulam áreas do sistema nervoso central provocando estimulação e aceleramento de suas atividades) – a pessoa fica mais alerta, atenta, com tendência a falar mais e mais rapidamente. Dizemos que fica mais ligadona.Ex anfetaminas, cocaína, cafeina e nicotina.

Perturbadoras (o funcionamento do Sistema Nervoso Central fica distorcido, alterado) - provocam a distorção das imagens, dos pensamentos e da percepção . As imagens ficam maiores ou muito pequenas, os pensamentos ficam como sonhos, perdem o nexo.Ex maconha, ácido lisérgico (LSD), ayahuasca, cogumelo, dartura e
exctasy.
Como as drogas influenciam na contaminação pelo vírus HIV?


Foram obtidas respostas muito interessantes, veja algumas delas: as pessoas, quando usam drogas, ficam sem noção das coisas e fazem sexo sem camisinha; é possível pegar AIDS quando a droga é injetada pela seringa contaminada; ou quando a pessoa se envolve com a droga ela fica desequilibrada e não tem noção de absolutamente nada.
O que fazem os tranqüilizantes ou ansiolíticos no corpo com o uso contínuo, efeitos físicos crônicos


Os ansiolíticos benzodiazepínicos quando utilizados por alguns meses podem levar às pessoas a um estado de dependência. Como conseqüência, sem a droga o dependente passa a sentir muita irritabilidade, insônia excessiva, sudoração, dor pelo corpo todo podendo, nos casos extremos, apresentar convulsões.Os ansiolíticos benzodiazepínicos podem causar tolerância, ou seja, a pessoa com o passar do tempo tem que aumentar a dose para sentir o mesmo efeito que sentia anteriormente.
O que fazem os tranqüilizantes ou ansiolíticos na mente?


Todos os benzodiazepínicos são capazes de estimular os mecanismos no nosso cérebro que normalmente combatem estados de tensão e ansiedade. Assim, quando devido às tensões do dia-a-dia ou por causas mais sérias, determinadas áreas do nosso cérebro funcionam exageradamente resultando num estado de ansiedade, os benzodiazepínicos exercem um efeito contrário, isto é inibem os mecanismos que estavam hiperfuncionantes e a pessoa fica mais tranqüila como que desligada do meio ambiente e dos estímulos externos.Como conseqüência desta ação os ansiolíticos produzem uma depressão da atividade do nosso cérebro que se caracteriza por: 1) diminuição de ansiedade; 2) indução de sono; 3) relaxamento muscular; 4) redução do estado de alerta.É importante notar que estes efeitos dos ansiolíticos benzodiazepínicos são grandemente alimentados pelo álcool; a mistura álcool estas drogas pode levar uma pessoa ao estado de coma. Além desses efeitos principais os ansiolíticos dificultam os processos de aprendizagem e memória, o que é, evidentemente, bastante prejudicial para as pessoas que habitualmente utilizam-se destas drogas.Finalmente, é importante ainda, lembrar que estas drogas também prejudicam em parte nossas funções psicomotoras, prejudicando atividades como dirigir automóveis, aumentando a probabilidade de acidentes.
Quem são as pessoas que mais utilizam os tranqüilizantes ou ansiolíticos?


Além das pessoas que tem problemas médicos que justifiquem a utilização desses medicamentos e nesse caso necessitam da prescrição médica para obtê-los, há os que os utilizam sem necessidade médica. Nesse caso obtém o medicamento de forma clandestina, ou seja, sem a prescrição médica e são pessoas que acreditam não mais controlar seu nervosismo a não ser com ansiolíticos e/ou aquelas que não mais conseguem dormir a não ser fazendo uso desses medicamentos.Geralmente esse uso inadequado é mais comum entre as mulheres, porém ele também existe entre os homens. Há ainda usuários de drogas estimulantes como cocaína e anfetaminas, que fazem uso desses ansiolíticos para tentarem diminuir a excitação e euforia provocadas por esses estimulantes ou mesmo para tentarem dormir após muitas horas de uso dessas drogas estimulantes que tiram o sono.
O que são tranqüilizantes ou ansiolíticos?


São medicamentos que têm a propriedade de atuar sobre a ansiedade e tensão. Estas drogas foram chamadas de tranqüilizantes, por acalmarem a pessoa estressada, tensa e ansiosa. Atualmente, prefere-se designar esses tipos de medicamentos pelo nome de ansiolíticos, ou seja, que "destroem" (lise) a ansiedade. Também são utilizadas no tratamento de insônia e nesse caso também recebem o nome de drogas hipnóticas, isto é, que induzem sono. Os ansiolíticos mais comuns são substâncias chamadas benzodiazepínicos, que aparecem em medicamentos como Valium® , Librium® , Lexotam® , Dormonid® etc.
Que drogas causam impotência sexual?


A maconha é capaz de reduzir a produção de espermatozóides. Casos de infertilidade, impotência, insatisfação sexual entre outros diagnósticos são encontrados em usuários crônicos da maconha.

O álcool tem ação direta sobre a ereção.

O uso crônico de esteroides pode trazer alem de vários doenças, disfunções sexuais a esterilidade.
O que são drogas lícitas e ilícitas?


As drogas lícitas tem sua produção, comercialização e uso permitidos pela lei a as drogas ilícitas são proibidas, não significando que as drogas lícitas causem menos danos à saúde do que as ilícitas
O poder de cada droga
Características de cada substância, nos Estados Unidos, em 2001
Substâncias Acessibilidade

Poder de vício
**

Letalidade

Precocidade***


Nicotina

Grande

80

Alta

15,5


Heroína

Pequena

35

Média

19,5


Cocaína

Média

22

Alta

21,9


Sedativos*

Média

13

Média

19,5


Estimulantes*

Média

12

Alta

19,3


Maconha

Média

11

Baixa

18,4


Alucinógenos

Grande

9

Baixa

18,6


Analgésicos*

Média

7

Média

21,6


Álcool

Grande

6

Média

17,4


Tranqüilizantes*

Média

5

Média

21,2


Inalantes

Grande

3

Média

17,3


* Uso não-médico de substâncias psicoativas
** % de usuários que se tornam dependentes
***idade do primeiro uso, em anos

Fonte: Pesquisa Doméstica Nacional sobre Uso de Drogas 2001, do Departamento de Saúde dos Estados Unidos - Revista Super Interessante
Álcool
Nome: cerveja, destilados e vinhos
Origem: grão e frutas
Quantidade média ingerida: 350 ml, 45 ml, 90 ml
Forma ingestão: oral
Efeitos a curto prazo (quantidade média): relaxamento, quebra das inibições, euforia, depressão, diminuição da consciência
Duração: 2-4 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): estupor, náusea, inconsciência, ressaca, morte
Risco de dependência psicológica: alto
Risco de dependência física: moderado
Tolerância: sim
Efeitos a longo prazo: obesidade, impotência, psicose, úlceras, subnutrição, danos cerebrais e hepáticos, morte
Utilização médica: nenhuma
Alucinógenos
Nome: DMT, escopolamina, LSD, mescalina, noz-moscada, psilocybina, STP
Origem: sintética, mimendro (planta), cactus, moscadeira, cogumelo
Quantidade média ingerida: variável, 5 mg, 150-200 mg, 350 mg, 400 mg, 25 mg
Forma ingestão: oral, inalável, injetável, nasal
Efeitos a curto prazo (quantidade média): alteração da percepção, especialmente visual, aumento da energia, alucinações, pânico
Duração: variável
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): ansiedade, alucinações, exaustão, psicose, tremores, vômito, pânico
Risco de dependência psicológica: baixo
Risco de dependência física: nenhum
Tolerância: sim
Efeitos a longo prazo: aumento de ilusões e de pânico, psicose
Utilização médica: o LSD e a psilocybina foram testados no tratamento do alcoolismo, drogas, doenças mentais e enxaquecas
Anfetaminas
Nome: benzedrina, dexedrina, methedrina, preludin
Origem: sintética
Quantidade média ingerida: 2,5-5 mg
Forma ingestão: oral, injetável
Efeitos a curto prazo (quantidade média): aumento da atenção, excitação, euforia, diminuição do apetite
Duração: 1-8 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): inquietação, discurso apressado, irritabilidade, insônia, desarranjos estomacais, convulções
Risco de dependência psicológica: alto
Risco de dependência física: nunhum
Tolerância: sim
Efeitos a longo prazo: insônia, excitação, problemas dermatológicos, subnutrição, ilusões, alucinações, psicose
Utilização médica: na obesidade, depressão, fadiga excessiva, distúrbios do comportamento infantil
Antidepressivos
Nome: tofranil, ritalina, tryptanol
Origem: sintética
Quantidade média ingerida: 10-25 mg
Forma ingestão: oral, injetável
Efeitos a curto prazo (quantidade média): alívio da ansiedade e da depressão, impotência temporária
Duração: 12-14 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): náusea, hipertensão, perda de peso, insônia
Risco de dependência psicológica: baixo
Risco de dependência física: nenhum
Tolerância: sim
Efeitos a longo prazo: estupor, coma, convulsões, insuficiência cardíaca congestiva, danos ao fígado e aos glóbulos brancos, morte
Utilização médica: na ansiedade ou supersedação, distúrbios do comportamento infantil
Barbitúricos
Nome: doriden, hidrato de cloral, fenobarbital, nembutal, saconal
Origem: sintética
Quantidade média ingerida: 400 mg, 500 mg, 50-100 mg
Forma ingestão: oral
Efeitos a curto prazo (quantidade média): relaxamento, euforia, diminuição da consciência, tontura, coordenção prejudicada, sono
Duração: 4-8 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): discurso "borrado", mal articulado, estupor, ressaca, morte
Risco de dependência psicológica: alto
Risco de dependência física: alto
Tolerância: sim
Efeitos a longo prazo: sonolência excessiva, confusão, irritabilidade, graves enjôos pela privação
Utilização médica: na insônia, tensão e ataque epilético
Cafeína
Nome: café, chá, refrigerantes
Origem: grão de café, folhas de chá, castanha
Quantidade média ingerida: 1-2 xícaras, 300 ml
Forma ingestão: oral
Efeitos a curto prazo (quantidade média): agitação, irritabilidade, insônia, perturbações estomacais
Duração: 2-4 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): agitação, insônia, enjôo
Risco de dependência psicológica: alto
Risco de dependência física: alto
Tolerância: não
Efeitos a longo prazo: agitação, irritabilidade, insônia, perturbações estomacais
Utilização médica: na supersedação e dor de cabeça
Cocaína
Nome: cocaína
Origem: folhas de coca
Quantidade média ingerida: variável
Forma ingestão: nasal, injetável
Efeitos a curto prazo (quantidade média): sensação de auto-confiança, vigor intenso
Duração: 4 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): irritabilidade, depressão, psicose
Risco de dependência psicológica: alto
Risco de dependência física: alto
Tolerância: não
Efeitos a longo prazo: danos ao septo nasal e vasos sanguíneos, psicose
Utilização médica: anestésico local
Inalantes
Nome: aerossóis (éter), colas, nitrato de amido, óxido nitroso
Origem: sintética
Quantidade média ingerida: variável
Forma ingestão: inalável
Efeitos a curto prazo (quantidade média): relaxamento, euforia, coordenação prejudicada
Duração: 1-3 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): estupor, morte
Risco de dependência psicológica: alto
Risco de dependência física: nenhum
Tolerância: possível
Efeitos a longo prazo: alucinações, danos ao cérebro, aos ossos, rins e fígado, morte
Utilização médica: dilatação dos vasos sanguíneos, anestésico leve
Cannabis Sativa
Nome: haxixe, maconha, thc
Origem: cannabis, sintética
Quantidade média ingerida: variável
Forma ingestão: inalável, oral, injetável
Efeitos a curto prazo (quantidade média): relaxamento, quebra das inibições, alteração da percepção, euforia, aumento do apetite
Duração: 2-4 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): pânico, estupor
Risco de dependência psicológica: moderado
Risco de dependência física: moderado
Tolerância: não
Efeitos a longo prazo: fadiga, psicose
Utilização médica: na tensão, depressão, dor de cabeça, falta de apetite
Narcóticos
Nome: codeína, demerol, metadona, morfina, ópio, percodan
Origem: papoula de ópio, papoula de ópio sintética
Quantidade média ingerida: 15-50 mg, 50-150 mg, 05-15 mg, 10 mg
Forma ingestão: oral, injetável, nasal
Efeitos a curto prazo (quantidade média): relaxamento, alívio da dor e da ansiedade, diminuição da consciência, euforia, alucinações
Duração: 4 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): estupor, morte
Risco de dependência psicológica: alto
Risco de dependência física: alto
Tolerância: sim
Efeitos a longo prazo: latargia, prisão de ventre, perda de peso, esterilidade e impotência temporária, enjôos pela privação
Utilização médica: na tosse, na diarréia, analgésico, combate à heroína
Nicotina
Nome: cachimbos, charutos, cigarro, rapé
Origem: folhas de tabaco
Quantidade média ingerida: variável
Forma ingestão: inalável, oral
Efeitos a curto prazo (quantidade média): relaxamento, contração dos vasos sanguíneos
Duração: 1/2-4 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): dor de cabeça, perda de apetite, náusea
Risco de dependência psicológica: alto
Risco de dependência física: alto
Tolerância: sim
Efeitos a longo prazo: respiração prejudicada, doença pulmonar e cardiológica, câncer, morte
Utilização médica: nenhuma (usado em inseticida)
Tranquilizantes
Nome: dienpax, librium, valium
Origem: sintética
Quantidade média ingerida: 5-30 mg, 5-25 mg, 10-40 mg
Forma ingestão: oral
Efeitos a curto prazo (quantidade média): alívio da ansiedade e da tensão. supressão das alucinações e da agressão, sono
Duração: 12-24 horas
Efeitos a curto prazo (grandes quantidades): sonolência, visão perturbada, discurso "borrado", reação alérgica, estupor
Risco de dependência psicológica: moderado
Risco de dependência física: moderado
Tolerância: não
Efeitos a longo prazo: destruição de células sanguíneas, icterícia, coma, morte
Utilização médica: na tensão, ansiedade, psicose, no alcoolismo
Prevenção

Muito se tem feito nos últimos tempos para que as pessoas se previnam contra o uso de drogas. Mas também muito se tem feito, legal ou ilegalmente, para que elas sejam usadas. O resultado final é que as pessoas estão consumindo cada vez mais drogas.
Usar drogas, significa em primeira instância, buscar prazer. É muito difícil lutar contra o prazer, porque foi ele que sempre norteou o comportamento dos seres vivos para se autopreservarem e perpetuarem sua espécie. A droga provoca o prazer que engana o organismo, que então passa a querê-lo mais, como se fosse bom. Mas o prazer provocado pela droga não é bom, porque ele mais destrói a vida do que ajuda na sobrevivência. A prevenção tem de mostrar a diferença que há entre o que é gostoso e o que é bom.
Todo usuário e principalmente sua família têm arcado com as consequências decorrentes desse tipo de busca de prazer.
Pela disposição de querer ajudar outras pessoas, parte da sociedade procura caminhos para previnir o maior mal evitável deste final de milênio.
Caminhos disponíveis
1. Do medo - Os jovens não se aproximarão das drogas se as temerem. Para se criar o medo, basta mostrar somente o lado negativo das drogas. Pode funcionar para crianças enquanto elas acreditarem no adultos.
2. Das informações científicas - Quanto mais alguém souber sobre as drogas, mais condições terá para decidir usá-las ou não. Uma informação pode ser trocada por outra mais convincente e que atenda aos interesses imediatos da pessoa.
3. Da legalidade - Não se deve usar drogas porque elas são ilegais. Mas e as drogas legais? E todas as substâncias adquiridas livremente que podem ser transformadas em drogas?
4. Do princípio moral - A droga fere os princípios éticos e morais. Esses valores entram em crise exatamente na juventude.
5. Do maior controle da vida dos jovens - Mais vigiados pelos pais e professores, os jovens teriam maiores dificuldades em se aproximar das drogas. Só que isso não é totalmente verdadeiro. Não adianta proteger quem não se defende.
6. Do afeto - Quem recebe muito amor não sente necessidade de drogas. Fica aleijado afetivamente que só recebe amor e não o retribui. Droga é usufruir prazer sem ter de devolver nada.
7. Da auto-estima - Quem tem boa auto-estima não engole qualquer "porcaria". Ocorre que algumas drogas não são consideradas "porcarias", mas "aditivos" para curtir melhor a vida.
8. Do esporte - Quem faz esporte não usa drogas. Não é isso o que a sociedade tem presenciado. Reis do esporte perdem sua majestade devido às drogas.
9. Da união dos vários caminhos - É um caminho composto de vários outros, cada qual com sua própria indicação. Cada jovem escolhe o mais adequado para si. Por enquanto, é o que tem dado os resultados mais satisfatórios.
10. Da Integração relacional - Contribuição para enriquecer o caminho 9. Nesse trajeto, o jovem é uma pessoa integrada consigo mesmo (corpo e psique), com as pessoas com as quais se relaciona (integração social) e com o ecossistema (ambiente), valorizando a disciplina, a gratidão, a religiosidade, a ética e a cidadania.
(Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba. Editora Gente, 6ª edição)
Recuperação

Receitas
Grupos de Auto-Ajuda

Tratamentos
Endereços Amor Exigente

Se seu filho está usando drogas
• Procure informação e, se possível ajuda especializada mesmo, antes de conversar com o seu filho. Ele sempre terá um argumento para justificar o uso, além de minimizar o problema

• Não permita que seu filho fume maconha dentro de casa, a fim de manter o controle. Essa atitude, além de proibida por lei, não diminui os riscos

• Se o seu filho está arredio e não quer te escutar, procure alguém que ele respeite, como um parente ou amigo da família

• Leve - o para um psicólogo ou psiquiatra especializado. Além de mostrar que ele está prejudicando a própria vida, a terapia pode ajudar nas questões que o levaram a buscar a droga. È importante que o profissional tenha experiência na área

• Participe de grupos de ajuda mútua dirigidos para pais de dependentes, ainda que seu filho não esteja em tratamento. Mudando seu comportamento, é possível que seu filho decida se tratar

• Coloque limites em casa, como delegar tarefas, controlar o dinheiro e impor horários. Enquanto o jovem tem tudo o que precisa, dificilmente sente - se estimulado a largar as drogas

• Seja firme e nunca volte atrás. Negar ajuda pode ser melhor ajuda
• Lembre - se que, pagando dívidas que seu filho fez com traficantes, você pode estar dando início a um ciclo vicioso. Não deixe de procurar ajuda quando a situação envolver traficantes

Fonte: Antônio Rabello Filho, do Instituto Souza Novaes, coordenadores do grupo Amor Exigente, psicóloga Lygia Humberg, da USP, psicóloga Neliana Figlie,da Unifesp, livro "Anjos Caídos", do psiquiatra Içami Tiba, psiquiatra José Antonio Ribeiro e psicólogo Marcos Govoni


Recuperação


Refeições medicinais para os dias de abstinência
Fatos firmados
- Quanto mais precoce e rápido for o aporte de comida e líquidos, mais rápida será a recuperação do viciado que está cruzando os perigosos momentos da síndrome de abstinência .
- Quanto maior for a quantidade de líquidos e comida aportando no organismo do viciado combalido pelo stress da síndrome de abstinência, menos intensos serão os sintomas desta síndrome.
- A boa hidratação e o aporte energético de comida respondem na íntegra, pela recuperação do viciado em fase de abstinência.
- Se o viciado, em fase de abstinência e conscientemente lúcido puder engolir, sem problemas, sólidos e líquidos, aconselhamos o uso das receitas energéticas abaixo relacionadas:
Beterraba
Descasque 3 beterrabas previamente cozidas. Após fatiá-las, triture-as no liquidificador com 6 copos d´água. Junte 1 concha de caldo de carne, leve ao fogo. Engrosse a mistura com 1 colher de sopa de creme de arroz. Quando estiver fervendo, adicione 2 colheres de sopa de molho inglês.
Esta refeição serve para combater a desnutrição, a anemia por carência de ferro e a desidratação. É rica em potássio, silício, sódio, cloro, zinco, manganês, ferro, cobre e vitaminas.
Cebola
Descasque 5 cebolas médias, fatiando-as em anéis finos. Aqueça 1/4 de xícara de manteiga em uma panela. Junte as cebolas, cozinhando-as em fogo brando até que fiquem macias. Aumente depois o fogo, deixando as cebolas dourarem. Retire a panela do fogo, junte 5 xícaras de caldo de carne, levando para cozinhar novamente durante 30 minutos. Antes de servir, adicione 5 fatias de pão torrado. Cubra a sopa com 1 xícara de queijo parmesão. O sal fica a gosto de cada um.
Esta é uma refeição energética, hidratante, rica em selênio. O selênio é um potente antioxidante, que protege as membranas celulares contra possíveis agressões.
Caqui
Bata no liquidificador 3 xícaras de polpa de caqui, açúcar a gosto e uma lata de creme de leite. Guarde na geladeira. Sirva gelado.
Esta é uma refeição energética, inimiga da inapetência. É rica nas vitaminas A e C.
Alface
Junte, numa panela, 4 xícaras de água fria, 1 colher e meia de chá de sal, 2 xícaras de batatas cortadas, 1 colher de sopa de cebola picada. Deixe a mistura ferver até que a batata esteja realmente cozida. Acrescente 1 xícara de alface picada, cozinhando até que ela fique desfeita. Coe, misture agora 1 colher e meia de azeite com 2 xícaras de leite quente, e junte à sopa. Adicione sal a gosto.
Esta é uma refeição energética, hidratante, rica nas vitaminas B e ácido fólico.
Legumes fortes
Cozinhar 1 molho de couve, 250 gramas de abóbora, 3 molhos de espinafre com 1 litro de água, sal, 1 tablete de caldo de carne. Quando os vegetais estiverem bem cozidos, passar no liquidificador. Servir quente, salpicando queijo parmesão por cima.
Esta é uma refeição energética, hidratante, rica em vitaminas e minerais.
Refeições energéticas para os dias depressivos do viciado em drogas
Batata-roxa
Faça uma calda em ponto de fio forte com 2 quilos de açúcar e 1/2 litro d´água. Junte 2 quilos de batata-roxa previamente cozida e passada na peneira. Acrescente 5 cravos-da-índia. Cozinhe até ver o fundo da panela. Está pronta para servir.
Cenoura
Coloque, numa panela, 2 copos de cenoura ralada, 4 copos de açúcar, 100 gramas de coco ralado, 1 colher de sopa de manteiga, 2 copos de leite. Leve ao fogo, dando o ponto de doce de leite.
Abacate
Cortar em cubos um abacate de tamanho médio, acrescentando 2 colheres de chá de açúcar, 2 colheres de sopa de maionese e o suco de uma laranja-lima. Misturar levemente com um garfo. Está pronto para servir.
Caqui
Misture 3 xícaras de polpa de caqui, 1 xícara de creme de leite, 1 pacote de gelatina sem sabor, previamente dissolvida em 1 xícara de café de água fervendo, açúcar a gosto, 1 colher de sopa de araruta, 2 colheres de sopa de manteiga, 4 claras em neve bem batidas. Bata a mistura até tomar ponto. Coloque na geladeira de um dia para outro.
Maçã
Bata 250 gramas de manteiga com 250 gramas de açúcar. Junte 250 gramas de farinha de trigo, 4 claras em neve, 4 gemas, 3 colheres de sopa de leite, 2 colheres de chá de fermento em pó, 1/2 colher de café de sal. Vá batendo a mistura sempre. Unte a forma de torta, despeje a massa e cubra com 4 maçãs cortadas em tiras, polvilhadas com açúcar. Leve ao forno.
Goiaba
Faça uma calda com 1 quilo de açúcar, cravo e canela em pau. Coloque em seguida 1 quilo de goiabas. Cozinhe-as até ficarem vermelhas.
Laranja
Com 1/2 quilo de açúcar, faça uma calda em ponto de pasta. Bata 6 claras em neve e reserve. Misture 6 gemas com a calda de açúcar e o caldo de 2 laranjas e leve esta mistura ao fogo, acrescentando agora as 6 claras em neve. Mexa até aparecer o fundo da panela.
Refeições energéticas para viciados desnutridos
Coco
Bata no liquidificador, até que se forme uma pasta homogênea, os seguintes ingredientes: 1 copo de coco fresco ralado, 1 colher de chá de açúcar, 1 maço de coentro, sal a gosto, 1 colher de sopa de suco de limão, 1 cebola média picada, 1 pimenta verde, 2 fatias de pão de forma. Comer espalhando a pasta sobre fatias de pão integral.
Ovos
Bata 4 ovos em uma tigela. Tempere com sal e pimenta. Junte 50 gramas de queijo gruyere (ou queijo-de-minas). Aqueça o óleo vegetal numa frigideira. Coloque agora a mistura dos ovos com queijo, puxando-a com o garfo das bordas para o centro, assim que a omelete começar a secar. Quando secar de um lado, dobra-se uma parte sobre a outra. Está pronta para servir.
Leite de soja
Pôr de molho 1 1/2 copo de feijão-soja durante 24 horas. Ferver água em uma panela, para aquecer os grãos. Colocar os grãos na água quente, por alguns minutos, e escorrer. Bater no liquidificador, juntamente com 1/2 litro de água fervente. Despejar em uma vasilha para esfriar. Coar em pano ralo. Bater novamente o bagaço com mais 1/2 litro de água fervente e juntar ao primeiro leite. Temperar a gosto.
Queijo de soja
Este produto é resultante da coagulação do leite de soja, que foi azedado, sendo então submetido a fervura e coado em seguida.
Modo de fazer: Junte o suco de 1 limão a 1 litro de leite de soja. Depois de estar coalhado, ferva e coe em um pequeno saco de pano. Comprima-o bem, na forma, e conserve no refrigerador até adquirir a consistência peculiar do queijo. Tire-o da forma e guarde mergulhado em água fria, ligeiramente salgada.
Carne
Refogue, com óleo vegetal, 2 tomates picados, 1 cebola picada, 1/2 xícara de azeitonas verdes picadas. Tempere com sal. Junte 1/2 quilo de carne moída, deixe cozinhar com a panela tampada. Acrescente molho inglês, 1/2 lata de creme de leite, 1 colher de sopa de Ketchup e 1/2 vidro de cogumelos. Misture bem, sem deixar ferver. Comer este recheio na forma de sanduiche.
Batata-doce
Descasque 1/2 quilo de batata-doce. Corte as batatas em quartos e, com uma mistura de mel e canela, vá pincelando-as enquanto são assadas no forno.
Maçã
Misture 1 1/2 xícara de beterraba cozida, cortada em cubos, com 1 1/2 xícara de maçã crua, também cortada em cubos, e 1/4 xícara de cebola em rodelas bem finas. Tempere a mistura com sal e 1/4 de colher de chá de noz-moscada. Coloque a massa formada num pirex untado com manteiga. Salpique manteiga por cima e cubra com papel de alumínio. Asse, por 1 hora, em forno pré-aquecido.
Refeições energéticas para os dias de infecção
Aipo
Desmanche 2 cubos de caldo de galinha em 2 litros de água fervendo. Junte agora 1 peito de frango fatiado e 1 aipo cortado em tiras finas. Deixe cozinhar bem. Antes de servir, adicione à mistura 1 colher de sopa de creme de leite e 6 fatias de pão de forma cortadas em quadrados e devidamente torradas.
Legumes fortes
Coloque numa panela, contendo 2,5 litros de água, os seguintes ingredientes: 2 talos de aipo, 2 cenouras, 1/2 quilo de carne de músculo, 1 cebola, 1 chuchu, 1 fatia de abóbora, 2 tomates, 1 alho-poró, 2 batatas, 2 nabos, 2 folhas de louro. Ferva a mistura até cozinhar a carne e os legumes. Retire a carne (que poderá ser aproveitada em outro prato) e passe o caldo da sopa e os legumes no liquidificador.
Esta sopa dispensa a adição de manteiga ou margarina.
Espinafre
Cozinhe 2 molhos de espinafre juntamente com 1 cubo de caldo de carne diluído previamente em água fervente. Passe a mistura no liquidificador e depois na peneira. Frite 6 fatias de bacon, até que se forme uma farofa. Reserve. Antes de servir, adicione à sopa 1 colher de sobremesa de creme de leite e o farelo de bacon.
Feijão-preto
Deixe 1 xícara de feijão-preto de molho em água, de um dia para o outro. Cozinhe o feijão em 2 litros de água, esperando até que fique macio. Em 1 colher de sopa de óleo vegetal, frite 2 cebolas fatiadas em rodelas e 2 dentes de alho esmagados. Reserve. Acrescente agora ao feijão os seguintes ingredientes: as cebolas, os dentes de alho, sal a gosto, 2 folhas de louro, 1 xícara de extrato de tomate e 4 batatas fatiadas. Tampe a panela e deixe cozinhar até que a batata fique macia.
Laranja
Coloque num liquidificador os seguintes ingredientes: 1/2 xícara de suco de laranja, 1 copo de iogurte natural (200 gramas), 1 colher de sopa de mel. Bata durante 4 minutos. Está pronto para servir.
Refeições que hidratam o corpo desnutrido do viciado em drogas
Beterraba
Refogue 2 beterrabas grandes, previamente cortadas em fatias, com 2 colheres de sopa de manteiga. Junte em seguida 2 alhos-porós picados, fatias de 1 cebola grande e 1/2 repolho pequeno fatiado. Deixe refogar lentamente, durante 1/2 hora, com a panela tampada. Junte agora 2 litros de caldo de carne e deixe ferver lentamente por mais 1 hora. Acrescente o sumo de 2 beterrabas cruas raladas e passadas num pano de prato. Junte à mistura 4 salsichas cozidas, previamente fatiadas. Ferva durante mais 5 minutos. Antes de servir, ponha em cada prato um pouco de salsa picada e 1 colherada de leite azedo.
Repolho
Cozinhe 1/2 xícara de arroz cru em 2 litros de caldo de galinha, acrescentando mais água se necessário. Tempere com 1 colher de sopa de massa de tomate. Antes de servir, acrescente 2 xícaras de repolho cozido e fatiado. Ao servir, regue com um pouco de azeite.
Músculo
Corte 1 ramo de salsa e cebolinha em fatias bem finas. Reserve. Pique 250 gramas de músculos e 1 cenoura, cozinhando, juntamente com 1 cebola grande, 1 dente de alho, 1 pimentão vermelho, 4 tomates sem sementes e sem pele, em uma porção de água e sal. Assim que a água ferver, deixe cozinhar por 1/2 hora até que a carne fique macia. Tempere com sal e pimenta-do-reino (a gosto). Coe e sirva bem quente. Antes de servir, salpique a salsa e a cebolinha.
Batata-baroa (mandioquinha)
Cozinhe 1/2 quilo de batata-baroa descascada, em água. Passe no liquidificador, com um pouco de água. Junte 1 litro de caldo de galinha concentrado, 3 colheres de salsa e cebolinha picadas, 1 copo de leite, 1 colher de sopa de margarina (ou creme de leite fresco, se prefirir) e 1 colher de queijo parmesão ralado. Sirva bem quente.
Legumes fortes
Misture, em uma panela grande, os seguintes ingredientes: 2 folhas de louro, 1 colher de sopa de sal, 3 litros de água, 3 cenouras cortadas em rodelas, 3 cebolas bem picadas, 3 xícaras de salsão (aipo) picado, 3 alhos-poró cortados em rodelas, 6 cebolinhas verdes, 8 talos de salsinha. Deixe levantar fervura. Abaixe o fogo e cozinhe, em panela tampada, por cerca de 2 1/2 horas. Escorra o líquido. O caldo de legumes está pronto para servir.
O leite na guerra contra a desnutrição do viciado em drogas
Por causa da sua riqueza em proteínas (3,5 gramas/100 gramas), minerais (cálcio, fósforo, magnésio, potásio, iodo, ferro, zinco) e vitaminas (A, E, D, K, C, B, niacina, ácido fólico, B6, B12), o leite está indicado como arma de guerra para recuperar nutritivamente qualquer viciado combalido pela ação dos tóxicos.
Leite e espinafre
Cozinhe, durante 5 minutos, 1 maço de espinafre em 2 xícaras de chá de água. Bata no liquidificador e guarde. Doure 1 cebola média ralada com 3 colheres de sopa de óleo. Adicione o epsinafre batido juntamente com 4 colheres de sopa de maisena previamente dissolvida em 2 xícaras de chá de leite. Cozinhe até ferver, mexendo sempre. Tempere com sal e noz-moscada (a gosto). Acrescente 1/2 xícara de queijo ralado.
Esta é uma refeição energética, protéica, rica em ferro.
Leite e queijo
Desmanche previamente 200 gramas de maisena em 1 litro de leite. Misture agora com 200 gramas de queijo ralado, 50 gramas de manteiga, 1 colherzinha de sal. Leve a mistura ao fogo, mexendo sempre até que cozinhe e fique tudo ligado. Despeje numa forma untada.
Este requeijão é riquíssimo em proteínas.
Leite e batatas
Lavar e limpar 1/2 quilo de batatas e 2 cebolas grandes. Fritar por 5 minutos numa caçarola com 2 colheres de sopa de azeite. Não permitir que as batatas e as cebolas fiquem douradas. Juntar 2 xícaras de água, deixando cozinhar até que as batatas bem tenras. Passar por uma peneira, acrescentado na sopa, 1 xícara de leite. Levar novamente ao fogo. Quando estiver fervendo, juntar 1 colher de sopa de farinha de trigo. Deixe ferver por 10 minutos. Servir quente.
Esta sopa é altamente energética e hidratante.
Leite e arroz
Cozinhe 1 xícara de arroz na água, sem deixar amolecer completamente. Junte 3 copos de leite, açúcar (a gosto), pó de canela em pau (a gosto). Deixe a mistura no fogo até ficar bem mole. Depois junte 2 gemas, mexa rapidamente e leve novamente ao fogo, sem deixar ferver. Tire do fogo, junte 1 colher de chá de margarina, mexa para derreter. Polvilhe com canela em pó.
Esta refeição de arroz-doce é altamente energética, está indicada para pessoas debilitadas pela ação dos tóxicos.
Leite e abóbora
Cozinhe 250 gramas de abóbora com água fervendo. Acrescente sal, canela e cravo. Passe depois no liquidificador. Leve novamente ao fogo, na mesma água em que foi cozida, juntando 75 gramas de queijo branco. Deixe ferver. Em seguida, coloque 170 gramas de açúcar e 1 copo de leite. Leve a mistura ao fogo brando, mexendo sempre. Engrosse com farinha de trigo dissolvida previamente em um pouco de água.
Este mingau de abóbora é altamente energético e mineralizante.
(Salvar o Filho Drogado - Dr. Flávio Rotman - 2ª edição - Editora Record)
Recuperação

Tratamento Médicos e Psicológicos

Os jovens em geral são rebeldes às clássicas psicoterapias, mas quando usam drogas as resistências pioram e acabam criando verdadeiras batalhas em casa para não ir às consultas. As elegações mais comuns são, entre outras:
"Não sou louco para ir a um psiquiatra, os loucos são vocês",
"Não sou viciado. Paro quando eu quiser", "Vão gastar dinheiro à toa!"
Quando há comprometimento psicológico ou físico, a consulta especializada se faz necessária. Cabe ao profissional - médico, psiquiatra, psicólogo- especializado fazer um bom diagnóstico e estabelecer um procedimento adequado. Os especialistas estão mais capacitados a utilizar, se necessário, medicamentos específicos. Há muito progresso no campo medicamentoso terapêutico. Novidades surgem a toda hora, entretanto a validade deverá ser confirmada pelos profissionais escolhidos.

Só internação não resolve
Em casos graves, quando o usuário está muito comprometido, a internação hospitalar é necessária e fundamental para dar início à recuperação. Nesse sentido, os hospitais funcionam bem.
Depois da alta, o apoio de grupos de auto-ajuda é excelente.
Os "padrinhos" que adotam um novo usuário cuidam dele como se fossem um filho. A única obrigação desse "filho" é ligar para o "padrinho" quando a vontade de usar a droga começar a ser despertada. É a força da coletividade agindo sobre o indivíduo necessitado.
Não há psicoterapias nem internações que garantam uma proteção tão grande e tão empenhada quanto a que esses grupos oferecem. E, se houver, pode se tornar inviável para a maioria da população, pelo seu alto custo.
(Salvar o Filho Drogado - Dr. Flávio Rotman - 2ª edição - Editora Record)
As “Sete regras básicas para interrupção do consumo de cocaína” (Washton, 1989) são válidas para dependentes de outras drogas e/ou álcool, e devem ser extensivamente discutidas com os pacientes:
1 - O momento de parar é agora
Uma das táticas mais usadas pelos dependentes e abusadores de álcool e/ou drogas para evitar ingressar em tratamento é a procrastinação (“deixar para mais tarde ou para depois”, adiamento indefinido que colabora para o aumento das conseqüências derivadas do consumo). A frase “Eu vou parar amanhã” significa exclusivamente que o indivíduo não tem nenhuma intenção atual de interromper o consumo.
2 - Deve-se parar o consumo de uma vez
Reduzir o consumo de drogas e álcool é uma tarefa ingrata e infrutífera. Cada episódio de consumo de coca aumenta o desejo por mais cocaína e assim o processo de recuperação acaba sempre adiado.
3 - Parar todas as drogas de abuso, incluindo álcool e maconha
Esta é uma das regras mais difíceis para o dependente de cocaína aceitar. O indivíduo tende a focalizar todas as suas dificuldades por exemplo na cocaína, desprezando a participação das outras substâncias no seu padrão de consumo. O consumo de álcool ou de maconha freqüentemente representa o primeiro passo para uma recaída no consumo da própria cocaína. Além desse fato, o consumo de qualquer substância evoca as memórias do consumo da droga principal consumida, desencadeando “fissuras” intensas. Ao consumir outra droga, o indivíduo terá menor capacidade de resistir a tais “fissuras”, recorrendo ao consumo.
4 - Mudar o estilo de vida
Os dependentes de drogas não podem manter os relacionamentos com antigos companheiros de consumo, não podem ir aos bares e outros ambientes onde costumavam encontrar esses colegas, pois o consumo de substâncias psicoativas (drogas e/ou álcool) é a atividade central dessas atividades. O indivíduo, nessas ocasiões, volta a sentir desejo intenso, como uma necessidade de consumir, não conseguindo resistir à droga. Esta é a principal razão de recaídas, pelo menos nos pacientes em tratamento.
5 - Sempre que possível evitar situações, pessoas e ambiente que causem fissuras
É importante antecipar estas situações em tratamento antes de se encontrar nas situações acima descritas, para que o paciente possa lidar adequadamente e evite o uso. Os dependentes em tratamento nunca devem testar-se, para saber “como estão indo no tratamento”. Este fenômeno é muito visto entre os pacientes, que acreditam que “passando no teste” estarão provando que voltaram a conquistar o controle sobre a droga e que “jamais irão consumir novamente”. Infelizmente nada poderia ser mais falso que isto. Mesmo passando no “teste” o paciente estará mais próximo de uma recaída, por ter se aproximado ao ambiente de consumo e, provavelmente, por excesso de autoconfiança.
6 - Procurar outras recompensas (fontes de prazer)
Durante a trajetória da dependência os indivíduos costumam afastar-se de praticamente todas as formas de lazer que não se encontram associadas diretamente ao consumo.Freqüentemente abandonam hobbies, afastam-se de pessoas que não usam, param de exercitar-se; com a evolução da dependência mesmo o interesse no sexo reduz muito, e a vida torna-se escassa de prazeres não quimicamente induzidos. O aprendizado de como voltar a estar em sintonia com o mundo “careta” é uma das tarefas mais difíceis da recuperação. Alguns indivíduos chegam a relatar que “desaprenderam a falar” sem o efeito das drogas.
7 - Cuidados pessoais: aparência, alimentação, exercício etc.
A cocaína, por exemplo, é um potente inibidor do apetite, de forma que usuários crônicos tendem a apresentar deficiências de diversos nutrientes e vitaminas. Alguns indivíduos dependentes de álcool e/ou drogas ingressam no tratamento realmente depauperados fisicamente.Da mesma forma, o condicionamento físico do paciente costuma ser negligenciado, indicando a inclusão de exercícios físicos na recuperação do paciente. O exercício pode, ainda, auxiliar a controlar ansiedade do indivíduo, facilitando a manutenção da abstinência, e produz sensação de bem-estar pela liberação de substâncias (endorfinas), que podem resultar em redução do desejo pelo consumo.


Fases do tratamento de abuso e dependência de álcool e drogas

- Desintoxicação ou Promoção da abstinência
Fase de abstinência sob supervisão médica dos efeitos do consumo de álcool ou outras drogas. Fisiologicamente esta fase dura poucos dias, porém a vontade de consumo pode persistir por meses. O uso de medicações pode reduzir o desconforto dos usuários ou mesmo minimizar as complicações médicas. A desintoxicação estabiliza o paciente, permitindo que ele ingresse na próxima fase do tratamento. Porém a desintoxicação sozinha tem mínimo impacto na dependência

- Reabilitação
É a fase do tratamento em que os paciente aprendem como modificar seu comportamento para manter a abstinência. Inúmeras modalidades terapêuticas podem (e devem) ser utilizadas para esta finalidade – aconselhamento individual e familiar, aprendizado sobre dependência e sobre as substâncias que consome, psicoterapia individual e familiar, medicações contra as vontades de consumo que o indivíduo apresenta, treinamento social e vocacional, e outros processos são integrantes desta fase. Grupos de mútua-ajuda devem sempre ser incluídos no processo de reabilitação

- Cuidados continuados
Muitos dos pacientes dependentes devem se manter em tratamento por um período longo em suas vidas. Esta fase é composta de propostas para a manutenção do estado de sobriedade frente às dificuldades de suas vidas. Participação em grupos de mútua-ajuda é um dos mais conhecidos meios de manutenção dos benefícios conseguidos em um tratamento. Outras possibilidades para esta fase são oferecidas pelas comunidades terapêuticas. Elas oferecem um ambiente bem estruturado para indivíduos que não disponham destes recursos em sua vida. As internações nestas instituições são freqüentemente longas, possibilitando uma estruturação da vida do indivíduo antes dele retornar ao seu ambiente de vida. Todas as modalidades oferecem suporte moral e encorajamento.

- Prevenção de recaídas
Estratégias que podem ser aplicadas conjuntamente ou logo após o tratamento primário (desintoxicação ou reabilitação). Em geral estas estratégias têm o objetivo de antecipar (e lidar) com as situações em que os pacientes terão possibilidade de recair, ajudando-os a adquirir instrumentos eficazes para evitar uma recaída, também modificando seu estilo de vida. Assim sendo são efetivas na redução da exposição dos indivíduos às situações de risco, fortalecendo suas habilidades de evitar uma recaída.
Fonte: GREA - Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas


As regras do tratamento - Passo a passo as normas impostas pela Anvisa para o funcionamento das comunidades terapêuticas


Como deve ser escolhida a instituição que cuidará do tratamento da dependência de drogas de um familiar ou de um amigo próximo? Essa é uma pergunta muitas vezes presente nas consultas feitas à Abrafam (Associação Brasileira de Apoio aos Familiares de Droga-dependentes) - mas para a qual não existe uma resposta única. Em primeiro lugar, porque não existe tratamento que sirva para todos. Em qualquer área da saúde, cada indivíduo apresenta necessidades diferentes e reações diferentes às mais variadas terapias. Assim, não seria possível compor um "guia de tratamento de drogadependentes". E, certamente, se existisse um, não haveria tantos dependentes em apuros...
No entanto, algumas orientações básicas são imprescindíveis. A primeira delas é verificar se, no mínimo, a lei está sendo cumprida. O tratamento da drogadição pode ser realizado das mais diferentes formas: em regime de ambulatório, domiciliar ou de internamento, sendo que esse último ainda subdivide-se entre vários tipos de serviços prestados por diferentes instituições: clínicas, hospitais, comunidades terapêuticas. E, com relação às comunidades terapêuticas, a legislação existe para defender o paciente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão do Ministério da Saúde, publicou, em maio, a Resolução número 101, preparada por membros de diferentes áreas, que trata do assunto. Ali estão descritas regras de funcionamento que devem ser do conhecimento de qualquer pessoa internada ou que tenha providenciado o internamento de alguém, pois deslizes ou claros exemplos de negligência podem passar despercebidos por pura falta de informação. Assim, para apoiar a família nesse universo tão grande de comunidades espalhadas por todo o país, acompanhe este estudo e confira o texto integral da Resolução a seguir.

Para que serve
A Resolução 101, de 30 de maio de 2001, segundo Gonçalo Vecina Neto, que a assina, vem para normatizar e estabelecer padrões mínimos para o funcionamento de serviços públicos e privados de atenção às pessoas com transtornos decorrentes do uso de drogas. Expõe exigências mínimas para o funcionamento dessas instituições, denominadas de comunidades terapêuticas e dá prazo de dois anos para que as que já existem adaptem-se às normas (portanto, até 2003).

A quem se aplica
As normas se aplicam a qualquer pessoa física ou jurídica, de direito privado ou público, envolvida direta ou indiretamente na atenção a indivíduos com transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas, sejam elas quais forem. Esses responsáveis, podem ser, portanto, uma empresa - um hospital, por exemplo, público ou privado - ou uma pessoa - um médico, um religioso ou qualquer outro interessado em responsabilizar-se pela instituição. Assim, não vale dizer que só os espaços públicos têm que seguir a regra: todos que se proponham a prestar esse tipo de tratamento estão sujeitos ao que determina a Resolução. E mais: uma pessoa deve designar-se como responsável técnica pelo estabelecimento e deve ter curso superior completo na área de saúde ou da assistência social.

Penalidades
Tratando-se de uma Resolução - e não propriamente de uma lei - quem não cumpre as regras é penalizado de acordo com o que determina a Lei 6.437, de 20 de agosto de1977, pois não agiu de acordo com o determinado pela Vigilância Sanitária e, portanto, incorreu no que é chamado de "infração sanitária". A Vigilância se atribui a obrigação, inclusive, de fiscalizar essas instituições anualmente (para o que requer livre acesso às instalações). Está escrito no texto da Resolução. Se essa meta puder ser cumprida, isso significa que as entidades deverão manter também em ordem a documentação relacionada às licenças de funcionamento, prontuários de pacientes etc., pois qualquer irregularidade poderá significar infração.

O que são as comunidades terapêuticas
De acordo com o texto da Resolução, as comunidades terapêuticas são lugares onde se internam - em regime de residência ou por turnos - pessoas que precisem de serviços de suporte e terapia por uso ou abuso de substâncias psicoativas. Nesses locais, "o principal instrumento terapêutico é a convivência entre os pares", diferenciando o tipo de tratamento aplicado ali ao de uma psicoterapia individual, por exemplo, ou do oferecido num hospital geral. Na comunidade terapêutica, o interno convive com outras pessoas que estão nas mesmas condições que ele e com quem pode trocar experiências.

Avaliação
No momento da internação, o paciente deve ser avaliado segundo uma série de critérios descritos na Resolução e classificado de acordo com a gravidade de seu estado (muito dependente da droga e com grandes comprometimentos), com a sua motivação para se tratar de acordo com os danos que a droga já provocou em seu organismo e em sua mente. Além disso, o avaliador deve verificar quais são as condições familiares. Essa avaliação necessariamente tem que ser feita conforme os critérios descritos na Resolução e todos os dados registrados num relatório.

Quem pode se internar?
As comunidades terapêutica não podem recusar-se a atender uma pessoa pelo fato de que ela apresenta, além da dependência de drogas, alguma outra doença associada. Também não pode "escolher" tratar apenas um dos mais comprometidos ou apenas daqueles cujo comprometimento pelo uso de substâncias psicoativas ainda não é tão grave. Após uma avaliação diagnóstica, química e psiquiátrica, os resultados têm de ser anotados numa ficha de admissão. Quem apresenta comprometimento grave do organismo ou da psique deve, necessariamente encaminhado para um serviço especializado, ou seja, ao um hospital ou unidade de terapia intensiva, que possa cuidar de reverter os danos ao corpo, e/ou a um hospital psiquiátrico.
Crenças religiosas ou ideológicas também não são motivos para recusa da internação. Da mesma forma, ninguém pode ser ou permanecer internado contra a vontade nesse tipo de instituição - a menos que encaminhada por um mandado judicial - e todos os pacientes têm o direito de interromper o tratamento no momento que desejarem, exceto se estiverem em risco de vida (por intoxicação ou ameaça de suicídio, por exemplo) ou pondo em risco a vida de outros.


Regulamento Interno
Ao admitir um paciente, a instituição deve expor a ele e a seus familiares sobre suas normas de funcionamento, regime de internação e proposta de tratamento, já com uma previsão do tempo previsto para sua conclusão. Toda a rotina do horário de despertar, atendimento individual ou grupal, programas educacionais, etc., deve ser entregue por escrito. As atividades obrigatórias e opcionais, os critérios de alta e de acompanhamento após a alta também devem ficar bem claros nesse documento e o paciente ou responsável assinará um termo de concordância com o regulamento.


Instalações e Capacidade
As comunidades terapêuticas devem ter capacidade máxima de alojamento para 60 residentes, alocados em, no máximo duas unidades. Isso vale para instituições criadas a partir da data da Resolução. As que existiam anteriormente podem ter até 90 moradores em no máximo três unidades. As comunidades que também prestam atendimento médico devem estar de acordo com a legislação (e licenças de funcionamento) específicas. A Resolução faz uma sugestão das instalações ideais.


Medicamentos
Algumas vezes, é admitido um interno que já utiliza algum tipo de medicamento de venda controlada (psiquiátrico ou para tratamento de qualquer doença). A direção da comunidade terapêutica deve responsabilizar-se, nesses casos, pela guarda e administração do medicamento ao paciente. Nos casos em que a comunidade também presta atendimento médico de desintoxicação - em que, muitas vezes, são utilizadas substâncias psicoativas semelhantes ás drogas de abuso e que podem, portanto, provocar dependência quando usadas sem controle, a instituição deve ter licença de funcionamento específica e submeter-se a regulamento técnico próprio do Ministério da Saúde.


Direitos do Paciente
A Resolução da Anvisa descreve que todo paciente, durante a internação na comunidade terapêutica, tem direito:
- a exercer sua cidadania (votar, por exemplo)
- ao sigilo sobre suas condições clínicas e psíquicas
- a cuidados com sua segurança
- a alojamentos e higiene adequados
- a receber alimentação nutritiva
- a estar livre de castigos físicos, psíquicos ou morais
- ao livre exercício de sua espiritualidade
- ao cumprimento de recomendações médicas
- a ser encaminhado para outros serviços quando a comunidade não for capaz de resolver intercorrências
- a receber seus medicamentos de acordo com a prescrição médica

Revista Droga e Família - Órgão Oficial da Abrafam - Associação Brasileira de Apoio às Famílias de Drogadependentes




EM BAURU - SP

GRUPO RENASCER DE AE

(14) 3227-1410

(14) 9712-1866


www.amorexigente.org.br




Legislação
Lei nº 6.368, de 21 de outubro de 1976... veja mais.
Dispõe sobre medidas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica, e dá outras providências.
• Situação: parcialmente revogada pelas leis nº 7.560 e nº 9.804; alterada por medidas provisórias
Propaganda de cigarros e outros produtos similares... veja mais.
Até o final de Junho de 2003 eram proibidas as propagandas de cigarros em todos os veículos de comunicação no Brasil pela Lei n.º 9.294, de 15 de julho de 1996. Só seriam permitidas propagandas no interior dos locais de venda do produto, por meio de pôsteres, painéis e cartazes. A Lei proíbe ainda anúncios em outdoors, placas e cartazes luminosos.

Por que usar drogas deve constituir um crime
1 – Fazem mal à saúde
Maconha provoca câncer, cocaína aumenta as chances de isquemia e ataque cardíaco. Além disso, o uso de drogas reduz a auto-estima e aumenta a chance de depressão.

2 – Causam dependência
Cocaína, heroína e maconha causam vício com o uso freqüente. Estatísticas indicam que até 10% dos usuários de maconha ficam dependentes.

3 – Incitam a violência
Na Holanda, 5 000 dos 25 000 dependentes de drogas são responsáveis por cerca de
metade dos crimes leves. Na Inglaterra, eles respondem por 32% da atividade criminal.

4 – As mais leves levam às mais pesadas
Quase todos os usuários de drogas pesadas já consumiram maconha. O governo americano diz que fumar maconha aumenta em 56% a chance de consumo de outra droga.

5 – Sem punição, o uso vai aumentar
A Holanda liberou o uso de maconha e ele subiu 400%. Nos Estados Unidos, o uso de álcool caiu 50% com a Lei Seca (1920-33) e só voltou ao nível anterior em 1970.

6 – Causam prejuízo à sociedade
Usuários de drogas consomem mais recursos do sistema público de saúde e têm produtividade menor.

7 – Pervertem quem as usa
O uso da droga transforma pessoas produtivas em indolentes, responsáveis em inconseqüentes, cidadãos em párias.
Fonte: Revista Super Interessante
Você Sabia ?
... Na mulher, o uso de Maconha, perturba o ciclo menstrual e altera o metabolismo da ovulação resultando períodos imprevisíveis de infertilidade.


... Espermas de homens viciados em Maconha, revelam menor numero de espermatozóides e maior numero de defeitos genéticos.


... O uso de maconha afeta a produção de espermatozóides e óvulos.


... Fumar aumenta as complicações pós-operatórias, especialmete em idosos, obesos e pacientes em tratamento de doenças cardíacas ou respiratórias


... Fumar prejudica o tratamento de doenças como gastrite, úlcera péptica, esofagite de refluxo, angina, insuficiência cardíaca, bronquite, enfisema e asma


... A chance de viver até os 73 anos é de 42% em fumantes e 78% em não-fumantes


... Fumar aumenta o risco de infertilidade e de complicações na gravidez


... Fumar eleva o risco de rugas prematuras e de celulite e interfere na cicatrização de feridas cirúrgicas


... Cocaína na gravidez causa perda de neurônios em cérebro de bebê.


... Divulgado em janeiro de 2001, o relatório da ONU afirma que 4,2% de toda a população mundial acima de 15 anos consome drogas, cerca de 180 milhões de pessoas


... Aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas já foram encontradas no cigarro (nicotina, alcatrão, amônia, monóxido de carbono, agrotóxicos, substâncias radioativas e muitas outras)


... O tabagismo diminui a fertilidade, a idade de menopausa natural e o peso corporal


... Cerca de 90% dos casos de morte por câncer no sistema respiratório são causados pelo tabagismo


... A nicotina é a droga do tabaco responsável pela dependência


... Os processos farmacológicos e suas consequências no comportamento, causados pela dependência do tabaco, são similares àqueles que determinam a dependência da heroína e da cocaína


... De todos os fumantes que tentam parar de fumar pela primeira vez, apenas 17,2% conseguem largar o vício


... Os consumidores crônicos de maconha sofrem de perda de memória e desvios da atenção


... 20% das internações psiquiátricas em 1999 foram causadas pelo consumo de álcool e custaram aos cofres públicos R$57 milhões


... 90% dos fumantes brasileiros se tornam dependentes ainda crianças e adolescentes, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca)


... Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada 10 segundos alguém morre precocemente devido aos efeitos do tabagismo.


... A nicotina é uma droga mais letal que a maconha e vicia com mais facilidade que a heroína


... Quem usa maconha tem 56% mais chances de vir a consumir outro tipo de droga


... O Brasil já é o segundo maior consumidor de drogas do mundo, só perdendo para os Estados Unidos da América (EUA)


... Alguns fortificantes como o "Biotônico Fontoura" tem teor alcoólico de 9,5%


... Os fumantes passivos se equivalem a fumantes que consomem 10 cigarros por dia


... Mais de 200 tipos de cânceres têm forte relação com o tabaco, que comumente provoca problemas cancerígenos no pulmão, mama e próstata


... O tabaco causa 25 tipos de doenças


... Um pequeno chumaço de fios de cabelo, de 15 centímetros, pode revelar que o investigado usa droga há dez meses


... Atualmente, quase 14 milhões de americanos, um em cada 13 adultos, abusam do álcool ou são dependentes do álcool


... As mulheres têm um risco ainda maior de desenvolver câncer de mama se beberem dois ou mais drinques por dia


... Cerca de 10 a 20% de bebedores pesados desenvolvem cirrose alcoólica, ou degeneração do fígado


... A hepatite e a cirrose alcoólica podem levar à morte se o indivíduo continuar a beber


... Crianças que nascem com problemas devido à bebida podem ter problemas de aprendizado e de comportamento para toda a vida


... O álcool reage negativamente com mais de 150 medicamentos


... A cafeína causa dependência psicológica


... Fumar mata mais americanos a cada ano do que álcool, cocaína, crack, heroína, homicídio, suicídio,acidentes de carros, incêndios e AIDS combinados.


... A nicotina produz dependência mais rápido do que a cocaina e crack


... A maconha foi confirmada como um trampolim para as drogas mais pesadas


... O crack é cinco a sete vezes mais potente do que a cocaína


... Apenas um cigarro é suficiente para contrair todos os vasos sanguíneos do corpo


... Os efeitos sedativos dos inalantes combinados aos do álcool podem causar morte súbita.


... Um comprimido de ecstasy equivale a 6 horas de euforia e uma semana de depressão e insônia


... 20 mil brasileiros morrem a cada ano, em decorrência do consumo de tóxicos ou de crimes relacionados com o tráfico


... A maconha é dez vezes mais cancerígena que o cigarro


... 150 mil óbitos/ano por alcoolismo nos USA


... As drogas circulam de maneira previsível pelo corpo e ganham maior velocidade e alcance a partir do momento em que entram na corrente sanguínea


... 27,5% dos pacientes tiveram problemas com drogas mais de um ano antes dos primeiros sintomas da esquizofrenia